Marcus Vinícius, o Didi: de JF para o sucesso em São Paulo!

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(Treinador Marcus Vinícius / Foto: Cairo Oliveira)

Marcus Vinícius de Oliveira, mais conhecido como Didi trabalha há muitos anos com vôlei e em Juiz de Fora, cidade onde trabalhou durante grande parte de sua carreira, conquistou muitos títulos em diversas categorias de base, tendo maior destaque com as equipes do Clube Bom Pastor e Colégio Metodista Granbery.

Com vários títulos e participações importantes nos principais campeonatos de Minas Gerais, entre o fim de 2013 e início de 2014 o treinador se viu desafiado a se transferir para uma das mais fortes federações de vôlei de base, a de São Paulo.

Transferência para São Paulo

Didi conta que as primeiras conversas foram informais, um de seus ex-atletas, Tárik Pereira, que jogava por lá na época indicou o nome de Marcus Vinícius para Pedro Moska que era o técnico do juvenil e Moska levou o nome até o coordenador do projeto de São José dos Campos, Fernando Basílio, que procurava um técnico para a equipe infanto e que auxiliasse no juvenil.

Ainda sem acreditar muito que poderia dar certo, Didi lembra que apenas quando foi convidado para conhecer a estrutura e as instalações do clube que começou a cair a ficha que trabalhar em São Paulo era uma realidade.

Porém, o técnico tinha vínculo com a equipe de base do JF Vôlei, e pela primeira vez estava treinando uma equipe de base que tinha uma equipe adulta na Superliga, e com isso teve de tomar uma decisão importante.

Conversei com o Mauricio Bara, coordenador do projeto do JF Vôlei e com muitas pessoas que pudessem me orientar e todos acharam que seria uma ótima oportunidade de crescimento na carreira. Aceitei a proposta de São José e iniciei os trabalhos no início de 2014. Foi muito difícil a ida pra lá, deixar família, amigos e os atletas com quem trabalhava, chorei muito na despedida mas fui em busca de vôos mais altos.” 

Adaptação a São Paulo e à Liga Paulista

Didi contou que apesar de estar realizando um de seus sonhos profissionais, a adaptação foi muito complicada, primeiro por nunca ter saído de Juiz de Fora e segundo devido ao estilo de jogo e calendário totalmente diferentes da Federação Mineira de Vôlei. Mas que de modo geral, foi muito tranquila e positiva.

“A adaptação foi rápida. São José dos Campos e uma cidade maravilhosa, promissora e me senti muito acolhido pelas pessoas do projeto e pelas pessoas que fui conhecendo ao longo do trabalho envolvidas ou não com o voleibol de la. A adaptação ao voleibol foi um pouco mais difícil, aqui em Minas, como tem poucos jogos e o campeonato é muito curto, o macrociclo de treinamento e as fases de preparação pra etapa de competição são bem diferentes de São Paulo, a preparação ela é muito mais complexa.”

O treinador passou dois anos em São José e os resultados vieram de forma rápida. Didi foi campeão da série Prata infanto-juvenil e dos jogos da juventude em 2014, ficou com o vice na série Prata e conquistou a medalha de bronze nos jogos da juventude em 2015. Até que no início de 2016 ele se transferiu para a equipe do Mogi Vôlei, para assumir o sub-21, uma categoria acima do que estava acostumado a trabalhar (sub-19).

Mudança pra Mogi das Cruzes

Já adaptado ao estilo paulista de voleibol, Marcus Vinícius encarou com um desafio a oportunidade de assumir uma equipe juvenil, mesmo não possuindo uma equipe adulta na Superliga como tinha o São José dos Campos no período em quem trabalhou por lá. O ano de 2016 pode ser considerado o seu melhor ano profissionalmente falando.

Após participação na Copa SP, que serviu como preparação para a equipe, Didi conseguiu elevar o nível de jogo do Mogi Vôlei e os resultados apareceram, principalmente com a conquista do Campeonato Regional e com a medalha de bronze nos Jogos Abertos de SP e no Campeonato Paulista, batendo a forte equipe do Brasil Kirin (Campinas) na disputa do 3 º lugar, após perderem do campeão São Bernardo.

Questionado sobre como manter a motivação do elenco, Didi foi direto:

“A motivação ela é constante, todos os jogos são importantíssimos em termos de classificação. Saíamos do campeonato Paulista para jogar os Regionais, depois voltávamos para o Paulista, depois fomos pros Abertos e voltávamos mais uma vez para o Paulista. Então a gente levava a motivação de uma para a outra, porque estávamos fazendo uma boa campanha em todas elas, com isso o grupo estava sempre motivado”

Marcus Vinícius ainda ressaltou a dificuldade de disputar contra equipes tradicionais do cenário do vôlei local e nacional, como Sesi-SP, Brasil Kirin (Campinas), entre outras. Mas afirmou ser essa dificuldade um fator motivacional a mais, porque assim buscava extrair o máximo de seus atletas e os levava a dar sempre o que tinham de melhor na quadra.15781827_1508565869171685_1313443849_n

(Foto de comemoração do 3 º lugar no Campeonato Paulista)

Trabalho com base

O treinador tem orgulho de já ter formado vários atletas que atuam ou já atuaram na Superliga e até nas seleções brasileiras de base. Ele contou que até hoje mantém contato com muitos deles. Porém, o trabalho de base é bem diferente, já que é de responsabilidade do técnico moldar os jogadores e após um amadurecimento dos atletas, é preciso buscar novos atletas, já que a base é dividida por uma série de categorias, todas por idade.

“Trabalhar com a base é muito gratificante, poder contribuir na vida esportiva do atleta e vê- lo evoluir e depois ele dar continuidade na carreira, isso é que me motiva sempre. Como trabalhei muitos anos em Juiz de Fora sem ter uma equipe adulta, era normal que o atleta que se despontasse tivesse convites de equipes de fora e eu me sentia orgulhoso com isso, depois com a chegada do voleibol profissional na cidade o pensamento mudou, queria que o atleta permanecesse na cidade e quem sabe tivesse uma chance de ingressar na equipe local.”

Resumo de 2016

De férias em Juiz de Fora, Didi está tranquilo por ter desempenhado um trabalho bem acima das expectativas e confiante em mais um ano no voleibol paulista de base.

“Foi um ano de muitas provações na minha vida, nunca deixei de acreditar em Deus e nas pessoas de Boa fé que estavam do meu lado, de perto ou de longe, os resultados vieram pra coroar um trabalho feito com erros e acertos, mas feito com honestidade”.

Por Gustavo Pereira

 

 

 

 

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JF Vôlei faz história

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(Foto: Divulgação CBV)

Juiz de Fora é conhecida por ter muitos bons jogadores, até a nível de seleção brasileira, casos de Giovane Gávio e André Nascimento por exemplo. Além disso, a cidade sempre teve várias escolinhas de voleibol e contou com fortes equipes de base. Mas faltava uma representação no vôlei nacional.

Em 2008 a Universidade Federal de Juiz de Fora criou um projeto que visava levar a equipe à elite do voleibol e que fosse possível que seus alunos desenvolvessem projetos de pesquisa e estágios dentro do time. Mesmo com as dificuldades iniciais, rapidamente a equipe que até então era chamada de UFJF Vôlei conseguiu bater suas metas e na temporada 2011/2012 disputou a Superliga pela primeira vez.

De lá pra cá a equipe disputou todas as temporadas da Superliga, sendo a temporada 2013/2014 a de melhor resultado, com a conquista da 9 ª colocação. Entretanto, na maior parte das temporadas, o agora JF Vôlei, brigou para não cair para a Superliga B e mesmo vendendo caro muitas derrotas até mesmo para os grandes, principalmente em casa, não conseguiu até a temporada passada um desempenho muito positivo na competição.

Parceria com o Sada Cruzeiro 

Após conseguir a permanência na Superliga A após vencer a seletiva que contou com Copel Maringá (PR) e Upis (DF), o JF Vôlei não garantiu imediatamente a vaga na Superliga devido a dificuldades de montar um elenco competitivo dentro do orçamento da equipe.

O Sada Cruzeiro até a temporada 2015/2016 utilizava sua equipe principal na Superliga A e uma equipe jovem na Superliga B, porém com mudanças da CBV que proibiram que a mesma equipe possuísse duas equipes.

Com isso, JF Vôlei e Sada viram aí uma possibilidade de continuar utilizando os jovens talentos da equipe de BH em uma competição a nível nacional. Assim em 30 de junho de 2016 as duas equipes firmaram um acordo em que o Sada Cruzeiro cederia jogadores, técnico e comissão técnica do antigo Sada B para o JF Vôlei.

Elenco 2016/2017

Com a parceria junto ao Sada Cruzeiro, a equipe de Juiz de Fora contou com 11 jovens atletas cedidos pela equipe da capital mineira e com isso se reforçou de forma pontual. Os únicos atletas do elenco da temporada anterior que permaneceram foram o líbero Fábio Paes e o central Diego Almeida. Além disso, o JF Vôlei contratou o levantador Rodrigo Ribeiro, que já foi jogador da equipe, o ponteiro Ricardo Júnior, de 2,06 m, e o oposto Renan Buiatti, de 2,17 m, e com passagens pela seleção brasileira de base e adulta.

Temporada acima da média

A temporada 2016/2017 iniciou com 2 derrotas seguidas em casa para Brasil Kirin e Sada Cruzeiro, os atuais vice-campeão e campeão, respectivamente. Com isso, o torcedor juiz-forano já começou a se perguntar se seria mais uma temporada na briga para não cair e se os jovens atletas conseguiriam melhorar o desempenho ao longo da temporada.

Após a 3 ª rodada, a equipe embalou uma incrível e inédita sequência de 6 vitórias contra São Bernardo (fora), Caramuru (casa), Copel Maringá (fora), Canoas (casa), Minas (fora) e Bento Vôlei (casa). Devido a essa sequência o JF Vôlei conquistou 16 pontos e mesmo com os dois recentes maus resultados para Montes Claros (fora) e Sesi-SP (casa) figura na parte de cima da tabela, ocupando a 6 ª colocação, com 16 pontos, 4 a menos que o 5 º colocado Taubaté e 4 a mais que o 7 º colocado Canoas.

O 1 º turno da Superliga se encerra para o JF Vôlei na próxima quinta-feira, 22, fora de casa contra o Taubaté. A equipe juiz-forana vai fechar o ano na sexta posição, independentemente dos resultados da 11 ª rodada.

Raio- X JF Vôlei

A campanha até agora é de 6 vitórias e 4 derrotas em 10 jogos. Das vitórias, 3 foram por 3 sets a 0, 1 por 3 sets a 1 e 2 por 3 sets a 2. Além disso, o JF Vôlei venceu 21 sets e perdeu 17, marcando 843 pontos e sofrendo 844 pontos.

Os comandados de Henrique Furtado conseguiram uma boa sequência de resultados contra equipes de nível técnico parecido, não desperdiçando muitos pontos e conseguindo inclusive pontos importantes fora de casa. Até agora, as 4 derrotas sofridas foram para equipes que figuram à sua frente na tabela de classificação e que são favoritas ao título. Faltando apenas o 5 º colocado Taubaté para encerrar o 1 º turno, o JF Vôlei mostrou força e provou que apesar da pouca idade, seus atletas já tem uma boa rodagem e estão acostumados a enfrentar grandes jogadores e equipes.

-Rodagem no elenco: O treinador Henrique Furtado tem um bom entrosamento com a maioria dos jogadores que compõem a equipe de juiz de fora, e até por isso, tem conseguido utilizar praticamente todo o seu elenco disponível, e está tirando o melhor de seus comandados.

-Jovens se firmando: Na Superliga 2016/2017 um fato que chama atenção é que várias equipes por falta de um orçamento inchado tem optado por dar chances a jovens atletas. O Minas é um grande exemplo disso, após perder o seu principal patrocinador. Os outros exemplos mais evidentes são as equipes de São Bernardo e de Juiz de Fora. Entretanto, apesar da juventude, a maior parte dos jogadores mais novos do JF Vôlei tem uma boa rodagem a nível nacional, tendo inclusive disputado a Superliga B no ano passado, e com muitos deles compondo as seleções de base da seleção brasileira.

-Contratações certeiras: Além da permanência de Fábio Paes e Diego Almeida, o JF Vôlei trouxe o ponteiro Ricardo Júnior, o levantador Rodrigo Ribeiro e o oposto Renan Buiatti. As contratações deram muito certo, já que o grandalhão Renan é o maior pontuador da Superliga, com 2o2 pontos, 20 a mais que o segundo colocado, Wallace de Souza, do Taubaté.

Por Gustavo Pereira

 

 

e-Sport: Esporte do Futuro 2 ª parte

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(Foto: final do Campeonato Mundial de LoL, 2016)

Pra quem acha que só de futebol vive o mundo dos esportes, tá muito enganado. Nos últimos anos uma nova modalidade esportiva vem ganhando cada vez mais adeptos. O e-Sports, ou esporte eletrônico, é praticado por milhões de pessoas ao redor do mundo e representa uma nova forma de encarar os games.

Fruto da evolução tecnológica, o e-Sport nasceu na Coréia do Sul, onde desde o ano 2000 é considerado uma modalidade esportiva, com competições profissionais e prêmios milionários.  Com o desenvolvimento da internet e a evolução dos equipamentos (hardwares), os games ganharam espaço na Ásia, na Europa e na América do Norte, onde os jogos de estratégia em tempo real possuem um maior reconhecimento – embora esse cenário esteja mudando rapidamente, uma vez que a América Latina e a Oceania representam mercados importantes para a expansão do e-Sport no mundo.

Também chamado de ciberesporte, a modalidade é capaz de agregar inúmeros jogos, de diferentes “estilos”. Os gêneros mais comuns são os de tiro em primeira pessoa, como o famoso CS (Counter-Strike), e o MOBA, que engloba os principais nomes do gênero do eSport, como o DotA 2 e o League of Legends.

Mas afinal, o que é MOBA?

Em tradução literal, seria a Arena de Batalha Online Multijogador (Multiplayer online battle arena). Um jogo classificado como MOBA é um game de estratégia jogado em tempo real, ou seja, você joga com outro jogador “ao vivo”. Nos principais jogos desse gênero, o objetivo é conquistar a base inimiga.

História do gênero

O gênero surgiu em 1989, mas só ganhou relevância em 1998, com o jogo Starcraft. Em 2005, esse mercado deu um salto com a chegada do Defense of The Ancients, mais conhecido como DotA, desenvolvido pela Blizzard. Em 2009, a empresa Riot Games sacudiu o mundo dos games ao lançar o League of Legends.

DotA x LoL

Uma curiosidade é que alguns desenvolvedores do LoL trabalharam também no desenvolvimento do DotA. Surgia aí a maior rixa que dura até hoje: quem é melhor, DotA ou LoL? A pergunta ainda não encontrou uma resposta simplesmente porque existe espaço para os dois. Longe de grandes polêmicas, essa disputa só favorece o jogador que tem à sua disposição duas empresas empenhadas a desenvolverem e aperfeiçoarem cada vez mais seus jogos.

Maior que a NBA

Considerado por muitos o melhor jogo do gênero, por conciliar desempenho e qualidade, League of Legends possui a maior base de jogadores no mundo. Em 2014, a desenvolvedora do LoL contabilizava cerca de 67 milhões de usuários. Já o último levantamento divulgado pela Riot Games dá conta de mais de 100 milhões de usuários ativos por mês. Isso significa que em apenas dois anos a empresa conquistou 33 milhões de novos jogadores. Só para se ter uma ideia seu concorrente direto, o DotA, tem uma base de apenas 13 milhões de jogadores ativos.

Primeira empresa a investir num campeonato profissional de grande porte, a Riot colhe agora o que plantou em 2011. O Campeonato Mundial de League Of Legends (League Of Legends World Championship) é o principal expoente do e-Sport hoje no mundo. O último torneio reuniu equipes de todos os continentes (menos a África, onde a modalidade encontra dificuldades estruturais para se desenvolver) e distribui um prêmio de mais de 1 milhão de dólares.

O campeonato de 2015 alcançou números surpreendentes também de público. Transmitido ao vivo pelo YouTube, a grande final conquistou, durante alguns minutos, uma audiência maior que a final da NBA de 2016. Apesar de ter sido por pouco tempo, isso representa as potencialidades que a modalidade tem.

Cenário brasileiro

O Brasil é um dos países onde o LoL mais de desenvolveu nos últimos anos e o Campeonato Brasileiro de League of Legends é a prova disso. O torneio conta com equipes profissionais e jogadores com salários que giram em torno dos 10 mil reais. O nosso jogador mais valioso, Gabriel “Kami”, possui um passe avaliado em 1 milhão de reais. E não para por aí.

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(Foto: Kami, jogador mais valioso do cenário brasileiro)

Os últimos campeonatos nacionais contaram com uma estrutura digna do crescimento da modalidade no país. Em 2015, por exemplo, o torneio foi disputado num estádio de futebol, o Allianz Parque. E o maior sinal de reconhecimento que o eSport tem ganhado por aqui é o início das transmissões em emissoras “tradicionais” das partidas decisivas LoL. Pra alguns isso pode parecer besteira, mas pra quem acompanhou o início do jogo aqui no Brasil e agora vê ele chegando no maior meio de comunicação de massa que é a TV, sabe o quanto isso é importante. Mais do que o reconhecimento, é a oportunidade de divulgar e incentivar que cada vez mais pessoas conheçam o jogo e, por que não, se tornem jogadores.

Por Armando Júnior

e-Sport: o Esporte do Futuro

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Diretor da equipe, Yellowstar à direita, e equipe de e-Sport do Paris Saint- Germain. (Foto: Divulgação PSG)

Na última semana, a milionária equipe do Paris Saint- Germain (FRA), movimentou o mercado de transferências. Mas não é de futebol que estou falando, e sim da contratação de uma equipe de e-Sport, mais especificamente de League of Legends (LoL), após ter investido em uma equipe de Fifa.

A equipe parisiense que desde 2011 foi comprada pelo sheik do Qatar, Nasser Al-Khelaifi, apresentou uma equipe completa de LoL, que disputará a segunda divisão do campeonato europeu, EU Challenger Series (EU CS), formada por dois coreanos, um sueco, um francês e outro holandês. O time terá Etienne “Steve” Michels (topo), Thomas “Kirei” Yuen (caçador), Jin “Blanc” Seong-min (meio), na “Pilot” Woo-hyung (atirador) e Hampus “Sprattel” Mikael (suporte).

Além do LoL, o PSG já possui uma equipe de Fifa, formada por dois famosos atletas, o francês Lucas “DaXe” Cuillerier, campeão mundial na Electronic Sports World Cup (ESWC) em 2016, e o dinamarquês August “Agge” Rosenmeier, campeão mundial na Fifa Interactive World Cup (FIWC) em 2014 e na ESWC em 2015.

Mas apesar da notícia parecer inédita, muitas tradicionais equipes de futebol já em se rendido ao e-Sport, que a cada vez mais tem crescido em visibilidade. Um famoso exemplo disso foi o agora ex-jogador Wendell Lira, que com menos de 30 anos, e no mesmo ano em que ganhou o prêmio Puskas de gol mais bonito do ano, em 2015, largou o futebol profissional para se tornar um jogador profissional de Fifa.

O que é e-Sport?

Apesar de parecer ser um conceito novo, o e-Sport começou a ser conhecido ainda na década de 90, com a franquia Quake, mas seu primeiro principal sucesso foi o jogo Counter-Strike: Global Offensive, onde várias pessoas passavam horas e mais horas em lan-houses disputando partidas e duelando entre si. A modalidade de esporte se baseia no mercado eletrônico, e a grosso modo, pode ser conhecido como disputas entre jogadores, profissionais ou não, em jogos virtuais.

Embora seja praticado virtualmente, existe toda uma cultura por trás do jogo. Além do virtual,  existem as partidas presenciais e os próprios campeonatos oficiais. Então reduzí-los apenas a “jogos virtuais” talvez seria um menosprezo e até desconhecimento do assunto.

Nesse esporte, podemos colocar como principais destaques jogos como Dota 2, League of Legends e Starcraft II. Uma mudança é que os jogos mais populares são os de estratégia em tempo real e ação, não mais os shooters que dominaram a primeira década dos anos 2000. Outra curiosidade é que o futebol também tem representação no e-Sport, através dos jogos Fifa e PES, que vem ganhando cada vez mais adeptos e até mesmo jogadores profissionais.

Premiações milionárias

Futebol mundial, NFL, NBA entre outros esportes são conhecidos por distribuírem premiações elevadas para suas equipes e altos salários para os seus atletas. Mas um fato que impressiona é que o e-Sport chega com tudo também no fator financeiro. O sexto Mundial de Defense of the Ancients 2 (DotA 2), realizado em agosto deste ano, distribui nada menos do que 20 milhões de euros (cerca de 68 milhões de reais) e o sexto Mundial de League of Legends (LoL), organizado em outubro, também deste ano, distribuiu mais de US$ 5 milhões (R$ 17 milhões) para as equipes.

Esse mercado está tão aquecido que, de acordo com a Newzoo, uma das grandes consultoras do mundo dos games, o e-Sport gerou cerca de 325 milhões de euros (cerca de 1,1 bilhão de reais), e alcançou 226 milhões de pessoas em 2016. Além disso, as previsões do mercado é que o esporte arrecade um valor em torno de 1 bilhão de euros (cerca de 3,4 bilhões de reais) em 2017. Por conta disso, várias equipes tradicionais no futebol, tem investido também no esporte eletrônico.

e-Sport ganha a TV

No ano de 2015, o Worlds – Campeonato Mundial de League of Legends, alcançou uma média de 4,2 milhões de espectadores por partida. Um ano antes, em 2014, o campeonato The International, de Dota 2, alcançou mais de 20 milhões de pessoas. Com índices tão elevados de audiência, o e-Sport está ganhando cada vez mais espaço nas emissoras de TV.

A pioneira no assunto foi a Coréia do Sul, que desde o começo dos anos 2000 inseriu o e-Sport na grade de algumas emissoras. Atualmente, ESL, a Sky Sports e Ginx TV são emissoras que entraram de vez no mercado, criando um canal que transmite apenas eSports, 24 horas por dia, no Reino Unido.

No Brasil, League of Legends é o principal game que encabeça as transmissões. O Campeonato Brasileiro do jogo (CBLoL) é uma das principais competições da América Latina. Em 2015, cerca de 283 mil pessoas assistiram à final entre Pain e INTZ. Além disso, 12 mil acompanharam tudo presencialmente no Allianz Parque, em São Paulo.

Com tanto sucesso, grandes emissoras esportivas como ESPN e Sportv, fecharam um contrato para transmitir a final do CBLoL 2016 ao vivo, buscando com isso, uma cobertura cada vez mais completa de competições de jogos. O grande desafio dessas emissoras é conseguir se inserir de forma a entender como funciona o e-Sport em geral e como se transmitir esse esporte do futuro.

O SporTV tem investido em transmissões ao vivo. O canal transmitiu torneios de Dota 2 em abril e junho de 2016. Primeiro foi o ESL One Manila, torneio realizado nas Filipinas com participação de oito grandes times da cena competitiva do MOBA da Valve. A cobertura aconteceu no site oficial do canal, e o Sportv3 passou a finalíssima da competição. Estratégia similar foi usada no ESL One Frankfurt, alguns meses depois. No dia 9 de julho, a emissora transmitiu ao vivo a final do Campeonato Brasileiro de League of Legends tanto no Sportv quanto no site.

A ESPN foi além! O ESPN Games criou os programas Match Making e Multiplayer, que estão disponíveis através do ESPN Extra. Além disso, o canal organiza e transmite através do seu site oficial, o torneio ESPN HearthStone Challenge, que está em sua 4ª etapa de competição. Já no WatchESPN, foram transmitidas competições de Heroes of The Storm, Dota 2, Hearthstone e do mundial de League of Legends.

Times de futebol com equipes de e-Sports

Desde 2015, a parceria de clubes de futebol com equipes de e-Sport tem se tornado cada vez mais recorrentes. O Besiktas (TUR), pode ser considerado como o pioneiro na parceria entre um clube de futebol e uma equipe de e-Sport.

Mas outras equipes já estão no mercado, como por exemplo o Valencia (ESP), que tem jogadores de Hearthstone e League of Legends e o Schalke 04 (ALE), que também foi uma das primeiras equipes a se aventurar nesse novo mercado e é uma das potências europeias, mas que acabou perdendo dois de seus jogadores para o PSG (FRA).

Além delas, Manchester City, Ajax, PSV, Wolfsburg, Sporting Lisboa e West Ham são times de futebol que contam com equipes de e-Sport, mas esses clubes possuem atletas de Fifa e PES, que são jogos de futebol.

No Brasil, apenas 2 equipes de futebol também possuem equipes de e-Sports. O Santos firmou um contrato de licenciamento de marca com a Dexterity Team em agosto de 2015. No contrato, o Peixe cedeu o uso do escudo e das cores do clube para os jogadores da organização passarem a usá-los nos campeonatos. Pelo lado da equipe de e-Sport, a Dex pôde vender seus produtos nas lojas do clube da Vila Belmiro. Inicialmente, a Dexterity tinha equipes em Battlefield 4, título em que figura entre as melhores do mundo, e Heroes of the Storm, além da formação extinta de League of Legends e de um time feminino de CS:GO, que passou pouco tempo na casa. No decorrer dos meses, as line-ups cresceram para Crossfire, Call of Duty, Halo, Smite, Warface, World of Warcraft, DotA 2, Rainbow Six: Siege e Overwatch.

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Equipe de Rainbow Six: Siege do Santos.Dex é uma das mais fortes da América Latina (Foto: Divulgação / Santos.Dex)

O outro time é o Remo, que buscou seguir o exemplo santista. A equipe fechou contrato com a Brave e-Sports em abril de 2016, mas de forma diferente do modelo santista. O setor de marketing do Remo e da Brave passaram a funcionar de forma integrada, permitindo que patrocinadores possam estampar suas marcas nas camisas tanto do futebol quanto dos esportes eletrônicos. Inicialmente, as line-ups da Brave eram de LoL, Heroes of the Storm, Crossfire e Smite. Atualmente a organização está bem posicionada no cenário competitivo de vários títulos, por exemplo tendo conquistado o acesso para o 1º Split do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) de 2017 e a participação no Mundial de Crossfire. A organização também se expandiu para incluir um time de CS:GO.

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Jogadores da Remo Brave que levaram a equipe ao CBLoL para a próxima temporada (Foto: Divulgação/Brave E-Sports)

Por Gustavo Pereira

 

 

Raio-X Classificação da Champions

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A fase de grupos da Champions League chegou ao fim na última quarta-feira, 10. Com as definições dos classificados para as oitavas-de-final e dos terceiros lugares, que conquistaram uma vaga para o mata-mata da Europa League, a edição 2016/2017 não teve grandes zebras.

Em grande parte dos grupos, os classificados não tiveram muitas dificuldades para avançarem, sendo os duelos entre primeiros e segundos colocados os principais, em grande parte dos oito grupos. O sorteio ocorrerá na próxima segunda-feira, 12, às 9 horas da manhã (horário de Brasília), na Suíça.

As 16 equipes classificadas, serão divididas em 2 potes, os 8 primeiros lugares e os 8 segundos. Além disso, nessa fase não pode acontecer nenhum jogo entre equipes do mesmo país, evitando por exemplo Barcelona (1 º) x Real Madrid (2 º) ou Arsenal (1 º) x Manchester City (2 º).

Os 16 clubes classificados foram:

Grupo A: Arsenal-ING (1 º) e Paris Saint-Germain-FRA (2 º). Com o Ludogorets-BUL em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo B: Napoli-ITA (1 º) e Benfica-POR (2 º). Com o Besiktas-TUR em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo C: Barcelona-ESP (1 º) e Manchester City-ING (2 º). Com o Borussia Monchengladbach-ALE em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo D: Atlético Madrid-ESP (1 º) e Bayern de Munique-ALE (2 º). Com o Rostov-RUS em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo E: Mônaco-FRA (1 º) e Bayer Leverkusen-ALE (2 º). Com o Tottenham Hotspurs-ING em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo F: Borussia Dortmund-ALE (1 º) e Real Madrid-ESP (2 º). Com o Légia Varsóvia-POL em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo G: Leicester City-ING (1 º) e Porto-POR (2 º). Com o Copenhague-DIN em 3 º e com vaga na Europa League

Grupo H: Juventus-ITA (1 º) e Sevilla-ESP (2 º). Com o Lyon-FRA em 3 º e com vaga na Europa League

Cinco grandes ligas confirmam sua superioridade

Considerando o ranking da FIFA, que classifica os clubes e as ligas por coeficiente, as 5 principais ligas são, na ordem de classificação, Espanha; Alemanha; Inglaterra; Itália; França, nota-se uma incrível superioridade das equipes dessas ligas, em relação a clubes de ligas inferiores.

Dos 16 classificados, 14 clubes são de uma dessas 5 ligas. E as duas únicas exceções são Benfica e Porto, ambas equipes de Portugal, que ocupa a 7 ª colocação no coeficiente de ligas. Olhando para o coeficiente de clubes, dos 16 classificados, 13 estão entre os 16 melhores coeficientes, analisando desde a temporada 2012/2013.

Raio-X das projeções iniciais (1 ª e 2 ª parte)

Ao início da disputa de mais uma Champions League, o Raio-X Esportivo fez algumas projeções das possíveis situações de cada equipe, após o término da fase de grupos. Nos resultados não houve muitas surpresas, e em grande parte dos grupos, os favoritos acabaram passando, mesmo que com uma variação entre o 1 º e 2 º lugar.

Destaques negativos:

O grande destaque negativo vai para o Tottenham Hotspurs (ING), que após conquistar o vice-campeonato inglês, não conseguiu nem se classificar e ficou com a 3 ª colocação do grupo E. A equipe perdeu 2 dos 3 jogos em casa e se complicou na competição. Uma vitória sobre o CSKA Moscou, garantiu o 3 º lugar, e fez da campanha menos vexaminosa.

No grupo F, o Sporting Lisboa (POR) decepcionou, não conseguiu nem a 3 ª colocação, e perdeu para o Légia Varsóvia (POL) a chance de disputar a Europa League. Após um 1 º jogo muito bom contra o Real Madrid (ESP), a equipe foi ladeira abaixo. Sua única vitória foi em casa contra o próprio Légia, mas perdeu na última rodada em Varsóvia e com o empate conquistado pela equipe polonesa contra o Real Madrid (ESP) na 4 ª rodada, ficou pra trás.

Atual bi-campeão holandês, o PSV (HOL) foi outra equipe que decepcionou na competição, ao ficar em último lugar de seu grupo, com apenas 2 pontos. Mesmo com Atlético Madrid (ESP) e Bayern de Munique (ALE) como amplos favoritos, esperava-se mais do PSV (HOL). Com a vitória do Rostov (RUS) frente ao Bayern de Munique (ALE), na 5 ª rodada, por 3 a 2, a equipe holandesa teve de se contentar com a 4 ª colocação do grupo.

Destaques positivos:

O principal destaque positivo, vai para o Mônaco (FRA), que conseguiu fazer uma competição consistente e se classificar em 1 º lugar no grupo E. A equipe conseguiu se classificar de forma antecipada e só perdeu na última rodada, fora de casa, para o 2 º colocado, Bayer Leverkusen (ALE).

Após uma temporada dos sonhos, o Leicester City (ING) voltou a fazer história. A equipe deixou claro que a Champions League é o principal objetivo da temporada. A primeira parte foi conquistada com sucesso. Na 4 ª rodada a equipe já estava praticamente classificada após 3 vitórias e 1 empate. Na 5 ª rodada o Leicester (ING) ainda venceu o Club Brugge (BEL) e assegurou a 1 ª colocação do grupo. A única partida destoante da campanha quase perfeita foi a goleada de 5 a 0, que sofreu para o Porto (POR), em Portugal.

Destaques gerais:

Apenas as equipes espanholas Barcelona (ESP) e Atlético de Madrid (ESP) conquistaram 15 pontos, maior pontuação alcançada nessa fase de grupos. O melhor ataque foi do Borussia Dortmund (ALE), que balançou a rede em 21 oportunidades. Barcelona (ESP) teve o 2 º melhor, com 20 gols marcados e o Arsenal (ING) o 3 º, com 18 gols. O atual campeão, Real Madrid (ESP), foi o 2 º colocado que mais marcou gols, 16. O Barcelona (ESP) teve o melhor saldo de gols, 16.

Do outro lado, estão as equipes que presenciaram algumas goleadas e tiveram as piores defesas. O Légia Varsóvia (POL) foi a equipe mais vazada de forma disparada, sofrendo 24 gols. Celtic (ESC) foi a 2 ª defesa mais vazada, com 16 gols sofridos e em 3 º lugar, empataram Dínamo Zagred (CRO) e Ludogorets (BUL), ambas com 15 gols sofridos. Um detalhe curioso é que o Dínamo Zagreb (CRO) não marcou nenhum gol.

Possíveis confrontos

Com os primeiros e segundos lugares definidos, inicia-se as especulações. No pote dos primeiros colocados, algumas equipes sem muita tradição nas fases finais da competição, como Napoli (ITA), Mônaco (FRA) e a estreante e surpreendente equipe do Leicester City (ING).

Já no segundo pote, algumas das favoritas ao título como o Manchester City (ING), de Pepe Guardiola, o Bayern de Munique (ALE) e o atual campeão da Champions League, Real Madrid (ESP).

Assim, podemos, já nas oitavas-de-final, ver um Barcelona x Bayern de Munique, Juventus x Real Madrid, Borussia Dortmund x Manchester City, dentre outros grandes confrontos possíveis.

Equipes de menor tradição na competição, torcem para não pegarem gigantes europeus. Mas se a sorte não ajudar, o estreante Leicester City, pode acabar enfrentando favoritos ao título, como Bayern de Munique e Real Madrid.

O sorteio vai ocorrer na próxima segunda-feira, 12, às 9 horas da manhã, pelo horário de Brasília.

Por Gustavo Pereira

 

 

 

Raio-X Brasileirão 2016

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Créditos: Cesar Greco/Agência Palmeiras/Divulgação

O campeonato brasileiro de 2016 vai terminar no próximo domingo, 12, com a 38 ª rodada e com o Palmeiras já campeão. Porém, parte da competição ainda está indefinida, faltando saber quem será o vice-campeão, Flamengo e Santos estão na disputa, definição de 3 das 8 vagas para a Libertadores, lembrando que Chapecoense, Flamengo, Palmeiras e Santos, juntamente com o campeão da Copa do Brasil, Grêmio ou Atlético-MG, tem vaga assegurada na fase de grupos da competição, definição da última vaga para Sul-Americana 2017, com Cruzeiro, Coritiba e Vitória na disputa e o último rebaixado, com o Internacional mais próximo, com 42 pontos, mas com Sport, 44 pontos e Vitória, 45 pontos, também correndo risco.

A competição foi marcada por muita disputa e também por significativas quedas e subidas de rendimento ao longo da competição. Além disso, no Brasileirão 2016, vimos gigantes agonizar e terem campanhas pífias e muitas zebras. No fim, a regularidade acabou sobressaindo e o Verdão conseguiu o caneco.

Cavalos de Tróia

No início do campeonato, dois times se destacaram, Santa Cruz e Internacional.

O santinha voltava à Série A e começou o Brasileirão embalado pelo talento de Grafite, que alegrava os cartoleiros com muitos gols e consequentemente muitos pontos para os seus times virtuais. Mas infelizmente não durou muito, já que após 4 rodadas invictos, o Santa Cruz sofreu 3 derrotas seguidas e se revelou um dos principais candidatos ao rebaixamento, que se consolidou de forma antecipada. A campanha de queda teve apenas 8 vitórias e incríveis 22 derrotas. Além disso, o santinha chegou a ficar 9 jogos sem vitória.

Já o gigante da Beira-Rio, sempre entra no Brasileirão como um dos candidatos ao título. E no começo do campeonato dava pinta de que brigaria por ao menos libertadores. A equipe chegou a liderar algumas rodadas com um desempenho satisfatório. Nas 10 primeiras rodadas foram 6 vitórias, 2 empates e 2  derrotas. Porém, na 11 ª rodada iniciou-se o maior drama já vivido pelos torcedores colorados. Adversário quase imbatível em casa, o Inter só ganhou 9 dos 19 confrontos em seu território. Além disso, a falta de gols fez diferença para uma equipe acostumada a ter goleadores em seu elenco, a equipe tem apenas 34 gols marcados, média de 0,92 gol por jogo, e tenta em seu último respiro, fora de casa, permanecer na Série A. Isso, dentro de campo, já que o clube entrou com recurso no STJD contra o Vitória. Mas no tapetão, acho que só o Fluminense consegue.

Equilíbrio leva à glória

O maior exemplo dessa frase é o campeão Palmeiras. A equipe fez o simples, ganhou 15 das 19 partidas que disputou em casa e ainda arrancou 8 vitórias fora. Perdeu apenas 1 partida em seus domínios, para o Atlético-MG, e foi derrotado apenas 6 vezes, ficando em apenas 16 % das partidas sem pontuar. Outro fator que ajudou a equipe a sagrar-se campeã foi o elenco montado pelo clube, que contou com muitos jogadores e permitiu ao treinador Cuca variar as peças sem perder em qualidade. Com o melhor saldo de gols disparado, +29, o Verdão mostrou sua força ao marcar 60 gols e sofrer apenas 31. O que credencia a equipe a ter o segundo melhor ataque e a melhor defesa da Série A. O equilíbrio apresentado pela equipe se evidencia ainda mais nos 15 jogos de invencibilidade, contra apenas 3 partidas de seca de vitória.

Interinos se afirmam

A dupla carioca, Flamengo e Botafogo, que o digam. O rubro-negro foi obrigado a trocar de técnico, já que Muricy Ramalho teve problemas cardíacos e não pode continuar à frente do clube. Já o alvinegro, se viu obrigado a colocar seu técnico interino à frente da equipe após Ricardo Gomes sair do comando para treinar o São Paulo. Por competência dos dois jovens treinadores, as apostas deram certo e ambos foram efetivados no cargo.

Zé Ricardo conseguiu uma campanha sólida na equipe, levando o Flamengo a sonhar com o título até as últimas rodadas. Porém, no fim da campanha cometeu alguns erros que distanciaram o Mengão do título e acabaram com o cheirinho de hepta, tão falado pela torcida rubro-negra.

Já Jair Ventura, fez o que podemos chamar de resgate das cinzas. O Botafogo começou o campeonato muito mal, mas teve uma recuperação incrível no segundo turno do Brasileirão e graças ao G-4 ter se transformado G-6, ainda sonha com a Libertadores, dependendo apenas de suas forças para ir à competição continental em 2017.

Elenco forte não ganha campeonato

A maior exemplificação disso é o Club Atlético Mineiro. Considerado um dos favoritos ao título, e com um elenco recheado de craques, o galo não conseguiu fazer seus atletas renderem ao máximo. No fim do campeonato ainda teve uma sensível queda de rendimento, o que distanciou a equipe do título brasileiro. Tem na Copa do Brasil sua principal esperança de título em 2016, apesar de ter perdido o primeiro jogo em casa por 3 a 1 contra o Grêmio.

Grandes sem brilho

Equipes que sempre entram com grandes ambições no campeonato, São Paulo, Cruzeiro, Corinthians e Grêmio deixaram a desejar. Os clubes sofreram com a perda de alguns de seus principais jogadores e com isso fizeram campanhas medianas. Os dois primeiros estão nos 10 últimos da Série A, Corinthians e Grêmio passaram boa parte da competição brigando entre o 5 º e 10 º lugar, e com o G-6, viram uma possibilidade de salvar o ano com uma vaga na Libertadores 2017. O Grêmio conta ainda com a possibilidade de ser campeão da Copa do Brasil.

Destaques individuais

No campeonato brasileiro de 2016, alguns atletas se destacaram de forma individual, independentemente da sua situação na tabela. Além da grande temporada que viveu Gabriel Jesus, alguns jogadores se tornaram destaques individuais, fazendo suas equipes dependerem deles para um melhor rendimento.

Botafogo: Camilo- meio-campista de muita qualidade, protagonizou gols bonitos e foi o grande maestro da ascensão do alvinegro carioca. Chamado por seus torcedores de “Camito”, ajudou a equipe de Jair Ventura a brigar pela Libertadores.

Flamengo: Diego- chegou com o campeonato em andamento e se tornou peça  chave para a subida de rendimento da equipe e Éverton- jogador que atua pelas pontas do campo, esteve ausente em partidas do fim do brasileirão e o rubro-negro sentiu a sua falta, respondeu com a falta de vitórias.

Sport: Diego Souza- o veterano e rodado meio-campista parece ter se encontrado. Após pedir dispensa do Fluminense no início do ano, o atleta conseguiu jogar em alto nível pelo Leão e se destacou em meio a uma campanha fraca do Sport.

Vitória: Marinho- famoso pela entrevista em que não sabe que está suspenso: “Ah é? Sabia não, que merda em”, o jogador também se tornou famoso por suas atuações. A equipe baiana sofreu com uma temporada muito fraca, correndo risco de rebaixamento em grande parte da competição, mas graças ao talento de Marinho, além de muitos gols e assistências, conseguiu pontos preciosos, que até agora são suficientes para livrar o Vitória do rebaixamento.

Time ideal do Brasileirão 2016

Goleiro- Alex Muralha (Flamengo): Fez uma boa temporada com o clube carioca, e ganhou a oportunidade de vestir a camisa da seleção brasileira, mesmo que ainda não tenha atuado.

Lateral-direito- Jean (Palmeiras): Jogador experiente e polivalente, voltou a atuar como lateral, após uma temporada de destaque no Fluminense como volante, e não decepcionou. Foi essencial para o título do Verdão e seus gols também ajudaram muito o clube.

Zagueiro- Mina (Palmeiras): O colombiano de 1,95 m, chegou há pouco tempo e já caiu nas graças da torcida. Contribuiu muito com a melhor zaga do brasileirão com seu alto poder defensivo e se destacou por seus gols marcados na reta final.

Zagueiro- Réver (Flamengo): Contratado junto ao Internacional, o xerife rubro-negro chegou com status de reserva, mas rapidamente conquistou sua vaga e terminou a temporada como capitão. O zagueiro foi muito bem e participou ativamente da ascensão rubro-negra com Zé Ricardo. Apesar de algumas falhas, foi muito bem em geral.

Lateral-esquerdo- Zeca (Santos): Jovem lateral, ambidestro, com um elevado poder ofensivo e campeão olímpico. Essas são algumas das qualidades do lateral que foi muito importante para a campanha do Santos até a Libertadores.

Volante- Moisés (Palmeiras): Jogador contratado junto ao América-MG, foi peça chave no esquema de Cuca. Volante moderno, conseguiu dar ritmo e volume de jogo ao Palmeiras e se tornou indispensável. Além disso, foi bem ofensivamente, principais com assistências.

Volante- Thiago Maia (Santos): Outro jogador campeão olímpico, teve papel fundamental na organização da equipe santista, e subiu de patamar ao lado de Lucas Lima. Com apenas 19 anos, tem propostas do exterior, com valores que chegam a 60 milhões de reais.

Meia- Camilo (Botafogo): Foi peça-chave para que o Botafogo conseguisse se recuperar e brigar por Libertadores. Apresentou um futebol convincente e de muita qualidade e mostrou muita técnica e raça.

Atacante- Gabriel Jesus (Palmeiras): De partida para o Manchester City, a jovem promessa teve uma excelente temporada, conquistando uma vaga de titular na seleção brasileira de Tite e já é realidade. Tem muito futebol para continuar brilhando.

Atacante- Fred (Atlético-MG): Após saída conturbada do Fluminense, recuperou seu bom futebol e ganhou a titularidade no galo, deixando Lucas Pratto no banco. É o atual artilheiro do brasileirão 2016, com 14 gols, e desempenhou bem o seu papel de 9.

Atacante- Marinho (Vitória): O atleta conquistou a simpatia de muitos torcedores, mesmo adversários, e nessa temporada conseguiu um excelente desempenho, principalmente no fim do campeonato, se tornando peça-chave para o Vitória conseguir permanecer na Série A.

Técnico- Cuca (Palmeiras): Conseguiu extrair o máximo de seus jogadores, encaixou um elenco inchado e deu coesão tática à equipe. Tem muitos méritos pelo título brasileiro conquistado.

Reservas:

Goleiro- Jaílson (Palmeiras): importante na reta final do brasileirão, substituindo muito bem o ídolo Fernando Prass

Lateral-direito- Victor Ferraz (Santos): atleta experiente, conquistou a titularidade na Vila Belmiro e foi importante no esquema de Dorival Júnior

Zagueiro- Victor Hugo (Palmeiras): Muito contestado por parte da torcida palmeirense, teve uma temporada sólida e conquistou a titularidade. Também teve um bom desempenho ofensivo e encaixou muito bem com Mina.

Zagueiro- Pedro Geromel (Grêmio): Em meio a uma campanha mediana do tricolor gaúcho, se destacou com muita firmeza e consistência defensiva. Foi cotado na seleção brasileira, mas não chegou a ser convocado.

Lateral-esquerdo- Jorge (Flamengo): Uma das mais valiosas do Flamengo nos últimos anos, o jovem se destacou ofensivamente, ganhou a titularidade absoluta e despertou interesse  até de Guardiola.

Volante- Tchê-Tchê (Palmeiras): Veloz e com alto poder de marcação, se tornou peça importante para Cuca e a campanha do título. Além disso, ainda foi importante ofensivamente.

Meia- Diego (Flamengo): Chegou no decorrer da temporada, mas agradou muito e o Flamengo se tornou dependente do atleta. Além de toda qualidade técnica, se tornou uma referência em campo.

Meia- Diego Souza (Sport): O experiente teve uma posição de destaque no campeonato, marcando 13 gols, mesmo com a fraca campanha do Sport.

Atacante- Dudu (Palmeiras): De brigão a capitão. Essa frase define o bom ano de Dudu, que jogou muito em 2016.

Atacante- Willian Pottker (Ponte Preta): Atacante de ofício conseguiu ser referência ofensiva, mesmo com Róger atuando como centroavante. Fez 13 gols até agora.

Atacante- Robinho (Atlético-MG): Recuperou a alegria de jogar futebol e fez a diferença no galo. Apesar de não conseguir levar a equipe ao título, fez a sua parte.

Técnico- Dorival Júnior (Santos): Mesmo com poucos recursos financeiros e perda de jogadores ao longo da temporada, conseguiu levar o time à disputa do título até a rodada 37. Teve muito mérito.

Por Gustavo Pereira

Por que o esporte precisa de ídolos?

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Não apenas no esporte, mas na vida de um modo geral, precisamos de alguém para nos espelharmos. Isso acontece pois projetamos em algumas pessoas o sucesso ou um modelo a ser seguido. E os ídolos se intensificam ainda mais quando falamos de esporte, já que em geral é um espaço de excessos de sentimento.

No futebol, são várias essas figuras, como por exemplo Pelé, Garrincha, Zico e tantos outros que marcaram época seja com a camisa da seleção brasileira ou com a camisa de seus clubes.

Porém, um dos maiores ídolos brasileiros, não demonstrava nenhuma habilidade com uma bola. Trata-se de Ayrton Senna, mais conhecido e eternizado como Ayrton Senna do Brasil. O piloto de Fórmula 1 marcou época, conquistou 3 títulos mundiais em 1988, 1990 e 1991, e foi vice- campeão em duas oportunidades, 1989 e 1993. O piloto encanta nas pistas e a Fórmula 1 ganhou muitos adeptos por conta de Senna. Mas, infelizmente, o piloto veio a falecer no grande prêmio de Imola, na Itália, em 1 º de maio de 1994, e desde então, a Fórmula 1 perdeu seu ídolo.

Após Ayrton Senna, outros pilotos brasileiros surgiram, casos de Rubens Barrichello (1993-2011) e mais tarde Felipe Massa (2002-2016) e recentemente Felipe Nasr. Barrichello foi o piloto sem título mundial que mais venceu corridas, 11 ao todo e Felipe Massa foi vice-campeão mundial em 2008. Entretanto nunca se tornaram ídolos brasileiros. E essa falta de extrema identificação causa nos torcedores apatia, e no caso, diminuiu-se em grande escala o interesse e a paixão do brasileiro pelo esporte.

Falta de um ídolo causa apatia

Desde antes da Copa do Mundo de 2014, que ocorreu no Brasil, o que se via nas ruas eram torcedores divididos. Para uma parte o resultado do Brasil pouco importava, para outros mais apaixonados, acreditavam que o Brasil poderia surpreender. Mas como assim a única seleção penta-campeã era candidata a surpresa e não favorita?

Um dos principais fatores era a falta de um ídolo. Neymar Jr. foi a principal aposta do Brasil, mas ainda era muito jovem e tinha se transferido recentemente para o Barcelona. Talvez o que tenha faltado era uma ou algumas figuras emblemáticas, que o brasileiro acostumou-se a chamar de “herói”. E não apenas por ter sido campeã, que a figura do herói surgiu no futebol brasileiro. Exemplo disso é a seleção de 82, que mesmo não conquistando o tetra campeonato, encantava com seu futebol e portanto os torcedores se inflamavam ao verem a seleção brasileira jogar.

Após o 7 a 1 a situação se agravou. Dunga foi contratado e o sentimento de desinteresse para com a seleção brasileira só aumentou. Sem grandes glórias, foi demitido e para seu lugar Tite foi contratado. O treinador então iniciou sua saga com descrédito dos torcedores, não por seu currículo (muito vitorioso, diga-se de passagem), mas devido a falta de identificação do brasileiro com a sua seleção. Após retomar um futebol encantador, Tite tem conseguido resgatar o interesse do povo brasileiro em ver o Brasil jogar, seja amistoso ou campeonato, enfim, aos poucos está caminhando para se tornar um ídolo.

O ídolo é maior que o preparo?

Essa pergunta não possui uma resposta certeira, fato é que sempre que um ex-jogador que foi importante para seu clube assume o comando da equipe, os olhos dos torcedores se enchem de esperança. Não sei se pelo que ele já representou, ou pela possibilidade de um ídolo como atleta, ser também um ídolo como treinador.

E essa lógica faz ainda mais sentido quando pensamos nas duas grandes potências espanholas. O Barcelona conta hoje com Luis Henrique como treinador, atleta com passagem regada a títulos no próprio clube da região da catalunha. Já o Real Madrid tem Zinedine Zidane como treinador, outro que teve um passado cheio de glórias pelos merengues. No Brasil o mais recente caso ocorreu no São Paulo. Após um ano decepcionante, com várias trocas de comando, e resultados desastrosos em campo, o São Paulo contratou Rogério Ceni para treinar a equipe. Ceni que até o ano retrasado vivia o dilema de se aposentar ou não, tendo jogado toda sua vida no São Paulo.

Bem, a qualidade técnica desses ex-jogadores como técnicos não está em discussão, porém, é perceptível como a figura de um ídolo tem impacto no esporte. Após a contratação de Rogério Ceni, muitos são-paulinos nem se preocuparam em olhar o currículo de Ceni como treinador de futebol, apenas se lembraram de seu passado recente, regado a glórias e títulos conquistados com o tricolor paulista.

Associação Chapecoense de Futebol

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Foto:Agência Brasil (EBC)

Um clube que tem apenas 43 anos de história, mas que ganhou notoriedade ao sair da Série D em 2009 e chegar à Série A em 2014. Além disso, se notabilizou pela campanha na Sul-Americana do ano passado, quando foi eliminada nas quartas-de-final pelo poderoso River Plate (ARG), após perder por 3 a 1 na Argentina e vencer por 2 a 1 na Arena Condá.

Em 2016, a maior glória da Chape. O clube conquistou o campeonato catarinense de 2016, foi eliminado na 3 ª fase da Copa do Brasil pelo Atlético-PR com empates por 0 a 0 em casa e 1 a 1 fora, e então ganhou o direito de disputar sua segunda copa Sul-Americana.

No Brasileirão a Chape Terror fez bonito, conquistou a permanência na Série A com algumas rodadas de antecedência e ainda assim continuou escalando sua equipe principal.

Na Sul-Americana, além de bonito, a Chape fez história!! A equipe ultrapassou todos os seus limites e chegou à final do campeonato após empate por 1 a 1 fora de casa contra o San Lorenzo (ARG) e novo empate por 0 a 0 na Arena Condá.

Tragédia no voo para Medelín (COL)

Porém, a aguerrida equipe não teve a chance de disputar a final. Infelizmente um tragédia causou a queda do avião que transportava 77 pessoas, dentre elas todo o elenco e comissão técnica da Chapecoense, jornalistas e convidados.

Entretanto, cada um daquele voo se tornou um ídolo. Morreram em trabalho, se foram em um momento de auge.

Não há palavras que expliquem o porque, o que fica são os bons momentos que cada um do elenco trouxe ao futebol brasileiro e mundial.

Um ano que tinha tudo para ser incrível para Chape, se tornou horrível. A perda é irreparável.

Que Deus conforte a vida de cada familiar e amigo que perdeu algum ente querido no voo.

#ForçaChape #SomostodosChape

Por Gustavo Pereira