As mudanças do futebol chinês

oscarxangai

Com uma liga em plena ascensão e com muito capital envolvido, nos últimos anos a China surgiu como uma grande concorrente a comprar jogadores a nível mundial, devido ao seu elevado poder de compra, onde permitiu por exemplo, que equipes da segunda divisão local, como o Tianjin Quanjian, que na época (temporada 2016) era treinado por Vanderlei Luxemburgo, torrasse 160 milhões de reais em contratações de jogadores, principalmente do mercado brasileiro como Jadson (contratado por 5 milhões de euros, com vencimentos acima de 1 milhão mensais), a jovem promessa santista Geuvânio (contratado por 11 milhões de euros e com vencimentos de 2,7 milhões de euros por ano), e Luís Fabiano, que veio a custo zero.

Com muitos atrativos como salários astronômicos, vários benefícios, presentes e bonificações, o mercado chinês sempre se mostrou muito ambicioso, com a pretensão de criar uma liga forte e com uma boa visibilidade. O atual presidente da China, Xi Jinping, é apaixonado por futebol e com isso tornou obrigatório o esporte nos colégios e dá incentivos fiscais para empresários investirem no esporte. Outra meta dos chineses é sediar uma Copa do Mundo, o que poderia dar uma maior visibilidade à liga.

Entretanto,no início parecia difícil convencer as grandes estrelas mundiais que jogar na China era um bom negócio futebolisticamente falando. A partir daí o mercado brasileiro apareceu como uma opção para os chineses, por ser o país do futebol, devido a moeda não ser tão valorizada, e pelos muitos talentos revelados no país.

Foi aí que o mercado da bola brasileiro começou a temer os chineses. No fim de 2015, o campeão Corinthians sofreu muito assédio e consequentemente um desmanche no time, perdendo peças essenciais no elenco como o zagueiro Gil, o volante Ralf e os meias Jadson e Renato Augusto. Além do Corinthians, outras equipes brasileiras perderam atletas para o mercado até então emergente e cheio de dinheiro para investir em contratações e salários. O argentino Dário Conca, saiu na época para se tornar um dos jogadores mais bem pagos do mundo, além de outro argentino que atuava no Brasil, Walter Montillo e do brasileiro Diego Tardelli.

Uma diferença da Superliga Chinesa em relação à MLS (dos Estados Unidos), por exemplo, é que o projeto é a mais a curto prazo, já que o país tem uma grande população apaixonada pelo futebol, e com isso, a principal busca não é por atletas em fim de carreira e que levem público aos estádios, mas sim jogadores a nível mundial que possam se tornar verdadeiros ídolos em suas equipes e consigam elevar o nível do campeonato nacional.

Mudanças nas regras da Superliga Chinesa

No início de 2017, a Associação Chinesa de Futebol mudou as regras para a uso de jogadores estrangeiros pelas equipes nos jogos do campeonato chinês e mesmo com a janela de transferências já aberta, a mudança entra em vigor já na próxima temporada da Superliga Chinesa.

A partir de agora as equipes poderão ter cinco estrangeiros em seu elenco, antes eram 4 mais 1 do continente asiático e apenas 3 estrangeiros poderão ser escalados por partida, antes era possível colocar 3 estrangeiros mais 1 do continente asiático. A grande mudança foi a inclusão de jogadores estrangeiros do continente asiático na cota de estrangeiros das equipes. Outra mudança é que agora cada equipe deve escalar no mínimo 2 jogadores sub-23 para os jogos, sendo que no mínimo 1 dos 2 deve constar como titular para a partida. Além disso, permanece a regra de que todos os goleiros da Superliga devem ser chineses.

Mudanças no perfil de contratações

Agora melhor estruturada e conhecida mundialmente, o projeto da Superliga Chinesa passa por uma mudança no perfil de jogadores contratados, que antes eram promessas de países emergentes ou jogadores de destaques em seus países, e agora vem se tornando cada vez mais ambicioso.

E essa troca de perfil fica clara na atual temporada onde os chineses vem assediando alguns dos principais jogadores do mundo. Na imprensa ouve-se especulações com nomes como Wayne Rooney, Diego Costa e até Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. Mas na realidade, o mercado chinês vem se reforçando com atletas de destaque mundial, como Graziano Pellé (13 milhões de euros), Oscar (29,75 milhões de euros), Hulk (47,43 milhões de euros), Axel Witsel (17 milhões de euros) e Carlitos Tévez (8,93 milhões de euros), que são atletas de destaque mundial e que tem um elevado poder de decisão.

Essas mudanças também se dão pelos chineses terem alcançado influentes treinadores de destaque mundial, como Manuel Pelegrini, Fabio Canavarro, Felipão e André Villas-Boas.

Salvo algumas exceções como Marinho (contratado pelo Changchun Yatai por 4,75 milhões de euros), que se destacou no Vitória e foi um dos melhores jogadores do brasileirão, vários jogadores brasileiros ou que jogavam no Brasil antes dessas mudanças estão em um processo de retorno ao país. Casos de Montillo, que voltou para o Botafogo, Conca, que vai passar uma temporada no Flamengo se recuperando de lesão e depois como atleta rubro-negro, Jadson, que está perto de fechar com o Corinthians entre outros.  Além deles, jogadores como Diego Tardelli, Luís Fabiano, Marcelo Moreno estão tentando retornar ao Brasil, para jogarem mais e voltarem a se destacar.

Utilizando como exemplo o caso do ex-corinthiano Jadson, que foi contratado após uma excelente temporada no clube campeão brasileiro de 2015 e de ter ficado na seleção do campeonato brasileiro, se transferiu para o Tianjin Quanjian, time até então na segunda divisão, mas com muito dinheiro para investir. Passou a ganhar mais de 1 milhão na equipe, mas não conseguiu se tornar uma estrela. Com a mudança de treinadores, saiu Vanderlei Luxemburgo e entrou Fábio Canavarro, o brasileiro acabou perdendo um pouco o espaço e busca a volta para o Brasil, com o próprio Corinthians, que vendeu o atleta a pouco menos de 2 anos, como principal interessado.

Mas alguns brasileiros acabaram se dando bem por lá. Como Ricardo Goulart, que foi considerado o melhor jogador da última temporada chinesa, Gil, Renato Augusto e Paulinho, que frequentemente figuram entre os selecionáveis de Felipão e Aloísio, que saiu do São Paulo e vem se tornando um ídolo na China.

Por Gustavo Pereira

 

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A mudança do Liverpool com Jurgen Klopp

jurgen-klopp.jpgO treinador alemão Jurgen Klopp ficou conhecido mundialmente por seu trabalho de destaque no Borussia Dortmund (ALE), tendo conquistado dois títulos do Campeonato Alemão (2010/2011 e 2011/2012), uma Copa da Alemanha (2011/2012) e três Supercopas da Alemanha (2008, 2013 e 2014) e ganhando o Treinador do Ano na Alemanha em duas oportunidades, 2012 e 2013. Em abril de 2015 o técnico anunciou que deixaria o Borussia, mas em outubro do mesmo ano aceitou uma proposta do Liverpool (ING) e passou a comandar os Reds.

Klopp no Liverpool

O treinador alemão assumiu os Reds já com a temporada em andamento, e apenas na metade da temporada é que teve autonomia para contratações e para começar a dar a sua cara aos Reds.

O Liverpool conquistou seu último título em 2011, quando venceu a Copa da Inglaterra. Mas há muitas temporadas que os Reds não conseguiam repetir seu desempenho das décadas anteriores, onde se tornou temido por conquistar vários títulos ingleses e europeus. Até que na temporada 2013/2014 o Liverpool conseguiu o vice-campeonato inglês e voltou a disputar a Champions League, entretanto a campanha não foi além da fase de grupos.

Em 2015/2016, já com Jurgen Klopp, o Liverpool voltou ao protagonismo europeu ao chegar na final da Liga Europa após eliminar o ex-clube de Klopp, Borussia Dortmund, em uma virada sensacional. Mas acabou sendo batido pelo Sevilla na final, por 3 a 0 em pleno Anfield Stadium.

Temporada 2016/2017

Na primeira temporada de Klopp desde o início (2016/2017), o treinador alemão trouxe alguns jogadores para compor e qualificar o elenco:

Goleiros:

Loris Karius junto ao Mainz 05, por 5,27 milhões de euros

Alexander Manninger, junto ao Augsburg, de graça

Zagueiros:

Joel Matip, junto ao Schalke 04, de graça

Ragnar Klavan, junto ao Augsburg, por 4,25 milhões de euros

Meio-campistas

Georginio Wijnaldum, junto ao Newcastle, por 23,28 milhões de euros

Sadio Mané, junto ao Southampton, por 35,02 milhões de euros

E os resultados vieram dentro de campo. O Liverpool em 21 jogos conquistou 45 pontos e está em 3 º lugar na Premier League, com a mesma pontuação do segundo, Tottenham. Comandado pelo brasileiro Phillippe Coutinho e Sadio Mané, além do goleador Roberto Firmino, a equipe de Jurgen Klopp vem fazendo uma boa campanha, disputando ainda a semi-final da Copa da Liga Inglesa contra o Southampton.

Raio-X do Liverpool para temporada

Os Reds não estão disputando nenhuma competição europeia nesse ano, e por isso, Klopp tem a possibilidade de apostar todas suas fichas na Premier League, competição que o Liverpool não vence desde a temporada 1989/1990.

Em seu favor o Liverpool tem alguns jogadores como Coutinho e Mané em excelente fase. Firmino também vive um bom momento e a equipe com Klopp passou a ter uma cara, coisa que há um bom tempo não vinha tendo. Outro ponto positivo é o bom retrospecto contra os grandes ingleses, já que o Liverpool segue sem perder na temporada para as equipes que estão até a 9 ª posição na tabela.

Contra os Reds tem o excelente desempenho do Chelsea na temporada, desde que Antonio Conte chegou ao clube, algumas falhas técnicas defensivas, principalmente do questionável zagueiro Dejan Lovren e do capitão da Estônia, Ragnar Klavan.

Além disso, o Liverpool ainda tem dificuldades em bater os times considerados pequenos e médios. Nessa temporada, os Reds sofreram derrotas para o Burnley, por 2 a 0, e para o Bournemouth, por 4 a 3, em um jogo que os Reds tiveram o jogo na mão e sofreram a virada nos últimos minutos. E empatou com o Southampton, por 0 a 0, West Ham por 2 a 2 e Sunderland, por 2 a 2.

Bernardinho e o fim de uma era

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Nesta quarta-feira, 11, foi anunciada a saída de Bernardinho da seleção brasileira de vôlei masculino. Para o seu lugar foi contratado Renan Dal Zatto, que assim como Bernardinho, integrou a seleção de prata nas Olimpíadas de 1984.

Bernardinho assumiu a seleção masculina em 2001, após passagem de 8 anos pela seleção brasileira feminina e duas medalhas olímpicas de bronze em 1996 e 2000. O treinador tinha a missão de remontar a seleção masculina que há tempos não vinha bem.

Acontece que Bernardinho não apenas reergueu e levou o Brasil ao topo do vôlei masculino, como também se tornou uma figura marcante no cenário mundial. Ao todo foram mais de 30 títulos, dentre eles 8 Ligas Mundiais (2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010), 3 títulos mundiais (2002, 2006 e 2010) e 2 conquistas olímpicas em Atenas (2004) e em casa, no Rio de Janeiro (2016). Além disso, Bernardinho conquistou duas medalhas olímpicas de prata, em Pequim (2008) e em Londres (2012).

O motivo

O vitorioso treinador deixou a seleção brasileira em seu auge, com a conquista da medalha de ouro olímpica no Brasil, e por isso, é possível se perguntar o por que de Bernardinho não continuar à frente da seleção.

O motivo apontado tanto pelo treinador, como também pela CBV (Confederação Brasileira de Voleibol), é que Bernardinho está saindo principalmente devido à pressão da família, já que além da seleção, ele também treina a equipe feminina do Rexona Rio de Janeiro.

Um fato curioso é que antes de assumir a seleção brasileira masculina, Bernardinho optou por deixar o Renoxa, que tinha sua sede no Paraná (agora a equipe está no Rio de Janeiro), e agora acabou fazendo o caminho inverso, ficando à frente apenas da equipe feminina.

A CBV afirmou que Bernardinho não será desligado da seleção, mas sim terá uma função de auxiliar técnico e contribuirá com a base, devido à sua vasta experiência com atletas de alto rendimento.

Renan Dal Zotto assume a seleção

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Renan, assim como Bernardinho é ex-jogador da seleção brasileira, e tem uma particularidade. Ele tem uma carreira construída de forma intercalada entre os cargos de treinador e gestor esportivo. No último título do Brasil, a medalha de ouro no Rio (2016), Renan era o diretor de seleções e ocupava o cargo até ontem.

Como treinador, as principais conquistas de Dal Zotto foram a conquista da Superliga Masculina em 2006 e a conquista da Supercopa Italiana, treinando o Sisley di Treviso. Além do vôlei, Renan também foi diretor de marketing do Figueirense no período de 2010 a 2012 e recebeu o prêmio Top Of Mind 2012, devido ao crescimento das receitas do clube.

Raio-X da seleção com Dal Zotto

O grande problema do novo treinador da seleção brasileira de vôlei é que há 8 anos Renan Dal Zotto não treina uma equipe profissional de vôlei, e assumir um cargo de tamanha responsabilidade exige um bom conhecimento e experiência na área. A falta de vivência no dia-a-dia como treinador pode ser um fator negativo para o novo técnico.

Outro ponto negativo é que com Dal Zotto assumindo, a sensação que se dá é que a CBV não está disposta a fazer uma renovação total na seleção, mas sim manter um projeto já bem estabelecido. E isso se evidencia com a escolha de Renan Dal Zotto para o lugar de Bernardinho, mesmo com vários técnicos na Superliga fazendo bons trabalhos.

O ponto positivo é que Dal Zotto sempre esteve presente no gerenciamento das equipes por onde passou, e com isso pode ter um maior poder de observação e mapeamento de atletas, podendo ser parte principal na tão falada renovação que a seleção brasileira está começando a passar.

Além disso, basta saber se Dal Zotto dará continuidade ao trabalho realizado por Bernardinho durante esse longo período, inclusive com uma espinha dorsal já montada, ou se terá autonomia e vontade para realizar uma total renovação da seleção brasileira, que já está acostumada a nomes antigos, mas que devem se aposentar em breve da seleção, seguindo o que fez o líbero Serginho, do Sesi-SP.

Com a troca de treinadores, é hora dos atletas provarem que não estão defendendo a seleção apenas por status, mas sim que são os melhores de suas posições, já que devido a mudança, o que se espera é que nenhum atleta permaneça na seleção pelo que já fez ou representa, para o Brasil.

Projeção da seleção brasileira masculina

Após um longo período de sucesso de Bernardinho, a grande pergunta é: Apenas uma troca de peças, ou também uma mudança na estrutura da seleção e do trabalho a ser realizado?

Essa pergunta só poderá ser respondida com o andamento e as convocações de Renan Dal Zotto, que assume o Brasil em uma época onde a seleção se encontra no topo do mundo, entretanto a Superliga Brasileira de Vôlei passa por momentos de dificuldades financeiras, agravada pela recessão em que vive o país, obrigando grandes equipes do cenário nacional a formarem grande parte de seus elencos com jovens atletas e com poucos medalhões, o que pode ser positivo para o trabalho de Dal Zotto, se conseguir fazer um bom trabalho de observação e análise de novos nomes.