Brasileiros na Libertadores: façam suas apostas!

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Em seu primeiro ano no novo modelo, a Copa Bridgestone Libertadores da América já na Pré-Libertadores deu um aperitivo do que pode ser a competição, que também pela primeira vez ocorrerá ao longo de todo o ano de 2017. Teve o Atlético Tucúman (ARG) se classificando após chegar com mais de 1 hora de atraso ao estádio e tendo que jogar com o uniforme da Argentina sub-20, o atual vice-campeão da competição Independiente del Valle (EQU), sendo eliminado na pré-libertadores, o Deportivo Capiatá (PAR) se classificando para a 3 ª fase da pré-libertadores após perder em casa por 3 a 1 e buscar uma goleada por 3 a 0 fora de casa, o The Strongest colocando seu ataque para funcionar, já tendo marcado 12 gols em 4 jogos, entre outras emoções.

Além disso, teve o Botafogo eliminando duas equipes que já foram campeãs da Libertadores, primeiro o Colo-Colo (CHI), com um salvador de bicicleta de Rodrigo Pimpão e depois o Olimpia (PAR), nos pênaltis, após uma incrível atuação de Gatito Fernandez, que como um gato pegou 3 cobranças e o Fogão saiu vitorioso por 3 a 1.

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E teve também o Atlético-PR se superando e eliminando o Milionários (BOL) nos pênaltis, em plena altitude de Bogotá e passando pelo Deportivo Capiatá (PAR), após empatar em 3 a 3 na Arena da Baixada e conseguir um magro mas milagrosos 1 a 0 fora de casa, suficiente para garantir a classificação à fase de grupos da Libertadores.

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Com isso, o Brasil conseguiu classificar todas as equipes possíveis para o torneio, Atlético-MG, Atlético-PR, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e Santos, totalizando 8 equipes dentre as 32 participantes da fase de grupos. Ou seja, 1/4 da Libertadores 2017 é brasileira!

Brasileiros na competição

Botafogo- Já no grupo 1, o Botafogo caiu em um grupo complicado, onde mais uma vez precisa mostrar força, principalmente a que mostrou jogando em casa, para se classificar nesse difícil grupo que conta com o Atlético Nacional (COL), atual campeão da competição e que mesmo perdendo alguns de seus principais jogadores, promete fazer uma dura competição e defender seu título. Além disso, o grupo tem o tradicional Estudiantes (ARG), que além de sempre vir forte, conta com um reforço de nome, Juan Sebastian Verón, o presidente de clube, que vai jogar a Libertadores após promessa caso sua equipe se classificasse para competição. Fecha o grupo o Barcelona Guayaquil (EQU), que mesmo sem muitos jogadores técnicos, promete compensar na raça e entrega.

Santos- A equipe da Vila Belmiro não começou bem o ano no campeonato paulista, mas já é carta marcada na Liberta, e sabe como disputar a competição. Em seu grupo, o 2, tem pela frente o Santa Fé (COL), que tem tradição e frequência na competição, o Sporting Cristal (PER) e o The Strongest (BOL), que na Pré-Libertadores, já mostrou que tem um poderoso ataque, tendo inclusive os dois artilheiros da competição até agora, o volante Chumacero, com 4 gols e o atacante Pablo Escobar, com 3 gols.

Atlético-PR e Flamengo– Com a definição do grupo 4, apenas reforçou-se a tese de que esse tem tudo para ser o grupo da morte. Composto por 4 equipes fortes e tradicionais, a promessa é de confrontos muito disputados, sem nenhum favorito. O San Lorenzo (ARG), time do papa, encabeça a chave, e desde o título em 2014, vem mantendo uma constante de alto rendimento, o Universidad Católica (CHI), é outra tradicional equipe, que juntamente com a La U (Universidad de Chile) vem mostrando a força do futebol chileno. As duas equipes brasileiras também vem em uma crescente, com um bom início de 2017, e precisam de muita força, principalmente nos jogos em casa para se sobressaírem nesse complicado grupo.

Palmeiras- No grupo 5, o Palmeiras tem pela frente um tradicional adversário, o Peñarol (URU), que já foi um dos melhores times da América, e busca retornar esse posto. Além disso encara o estreante Atlético Tucúman (ARG) que mostrou força e boa concentração na Pré-Libertadores para avançar de fase, mesmo com as adversidades e contra-tempos, e a equipe do Jorge Wilstermann (BOL), que tem participado das últimas edições da Libertadores e conhece a competição, mesmo sem ter tido ainda um grande resultado.

Atlético-MG- No grupo 6 o Galo caiu em um grupo onde teoricamente tem boas chances de classificação. Seu principal adversário é o Libertad (PAR), equipe que tem tradição na competição, mas não costuma chegar até as fases finais. Completam o grupo  Godoy Cruz (ARG) e Sport Boys (BOL),

Chapecoense– Estreante na Libertadores, a Chape tem um pedreira pela frente no grupo 7. Encara duas fortes e tradicionais equipes, o Nacional (URU) que sempre consegue chegar às fases finais da competição, e o Lanús (ARG), que tem um estilo de jogo argentino bem marcado, e é muito forte em casa, além do Atlético Zulia (VEN), que estreia na Libertadores e busca surpreender.

Grêmio- No grupo 8, a equipe de Porto Alegre foi outra que na teoria tem tudo para encaminhar sua classificação sem muitas dificuldades. Encara adversários sem muita tradição e força na competição, mas tem de ter cuidado para não se complicar, principalmente fora de casa. Enfrenta Deportes Iquique (CHI), Guaraní (PAR) e Zamora (VEZ).

Por Gustavo Pereira

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A polêmica dos direitos de transmissão da Superliga de vôlei

Nesta última semana, uma situação trouxe de novo à tona a polêmica questão do protecionismo nos direitos de transmissão da Superliga de voleibol. O ponteiro do Sesi-SP, Murilo Endres, anunciou em seu Twitter que o site do Sesi-SP transmitiria ao vivo a partida entre sua equipe e Montes Claros, entretanto, momentos depois do anúncio, Murilo voltou a tuitar que foi proibido de realizar a transmissão da partida via Internet, e ainda soltou essas declarações: “Galera, peço mil desculpas, mas não poderemos transmitir o jogo!! Eu estava muito empolgado com a ideia de fazer, mas não temos autorização!!” e“A transmissão seria boa pra todos! Mas eles só olham pro próprio umbigo”.

O site Melhor do Vôlei criou uma campanha para que seja possível a transmissão via Internet, com a #LiberaCBV.

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Além de Murilo, seu irmão Gustavo Endres foi outro que já reclamou dos métodos de transmissão de partidas, já que, segundo o ex-jogador da seleção e dirigente do Lebes/Gedore/Canoas, na 5 ª rodada não ocorreu o televisionamento de nenhuma partida. “Fico realmente triste por ver que o nosso tão vitorioso e popular esporte não é tratado como devia”, declarou Gustavão.

O Copel/Maringá, equipe dirigida pelo levantador Ricardinho, investiu em equipamentos técnicos para transmissão de suas partidas, mas foi outra que recebeu notificações de proibição de passar seus jogos via internet.

A quem pertence os direitos de transmissão

O grupo Globo é o detentor dos direitos de transmissão da Superliga, utilizando os canais SporTV como principal meio de televisionamento de partidas. Além disso, a Rede TV fechou um contrato junto ao SporTV e à CBV em que tem o direito cedido de passar em seu canal jogos da Superliga de vôlei, na temporada 2016/2017, em dois dias, quinta a noite e sábado a tarde.

Além do grupo Globo, a CBV é a única que tem direito de transmitir as partidas da Superliga em seu site oficial, segundo o contrato firmado junto ao SporTV.

Protecionismo ruim para todos

Entretanto, a Confederação Brasileira de Voleibol não faz a exibição de nenhuma partida via internet, apenas atualiza os placares dos jogos em seu site oficial, o que significa que apenas o SporTV tem o total domínio da Superliga de Vôlei.

Após a polêmica que envolveu Murilo Endres, Ricardo Trade, o Baka, CEO da CBV, falou sobre o assunto, justificando que a restrição de transmissões de jogos se dá devido a preocupação com o produto e com a qualidade técnica das transmissões.

“Pelo contrato com a Globo, é possível fazer transmissões pela internet, desde que sejam nas mídias sociais ou plataforma da própria CBV e atendidos certos requisitos, como qualidade de transmissão, links que não fiquem caindo toda hora, cuidado com os patrocinadores da própria Superliga… O produto não pode ser colocado no ar de qualquer forma, é preciso ter padrões de qualidade. Não é como se fosse uma transmissão que qualquer um faz na esquina”, declarou Baka.

Mesmo que a preocupação com a qualidade das transmissões, o que a CBV ao proibir as equipes de transmitir suas próprias partidas é uma forma de protecionismo, que só faz mal ao voleibol, e até mesmo dificulta sua difusão.

Qual torcedor não prefere ver um jogo de sua equipe em que a qualidade não seja das melhores, e até mesmo com possibilidade de instabilidade na transmissão do que nem mesmo ter a possibilidade de saber como foi o jogo e quem jogou bem ou mal?

Em outro tuíte, Murilo chega até mesmo a citar os patrocinadores, que segundo o atleta, seriam prejudicados com esse protecionismo: “Os próprios patrocinadores deveriam questionar essa proibição da @volei pq estão perdendo exposição de suas marcas”.

Possível alternativa

O público do voleibol já está bem mais difundido, e isso fica evidente aos olharmos as páginas das equipes e o envolvimento com as publicações. Com isso, uma possível alternativa para diminuir esse protecionismo é a criação de um pacote que se aproximaria do Premier Futebol Clube, do próprio grupo Globo, em que o assinante paga uma quantia a mais pela compra do pacote, e tem direito a ver todas as partidas do Campeonato Brasileiro (principal campeonato do Brasil).

Mas para isso, seria necessário um maior investimento por parte do SporTV, que teria que cobrir todos os jogos das equipes, e não apenas aqueles em que fossem televisionados.

Outra possibilidade seria a liberação por parte da CBV permitindo as equipes de transmitirem suas partidas em suas páginas oficiais, exigindo das equipes um padrão mínimo na qualidade das transmissões. E para isso, é necessário uma reunião com os participantes da Superliga, afim de chegarem a termos em que não pese para nenhum dos lados, e que o torcedor seja o único beneficiado.

Por Gustavo Pereira

 

 

Raio-X do Fluminense em 2017

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Após a saída da Unimed no fim, principal patrocinador durante 15 anos, no fim de 2014, o clube das Laranjeiras pareceu sentir o golpe. A parceria entre Fluminense e a empresa se assemelhava com o que acontece hoje no Palmeiras com a Crefisa, onde uma figura apaixonada pelo time resolve investir em seu clube de coração.

A temporada 2015 já foi de redução na folha salarial e saída de alguns titulares do elenco. Dentro das 4 linhas o impacto também foi grande, com uma campanha mediana e um 13 º lugar no Brasileirão. Em 2016 a situação não mudou muito. O clube conseguiu se reestruturar financeiramente, porém sem muito capital para investimento.

Na temporada 2016 acabou o campeonato Brasileiro novamente em 13 º lugar, conquistando a vaga para a Sul-Americana, torneio periférico em relação ao sonho de disputar a Libertadores da América. Somado a isso, os tricolores viram um sensível crescimento no rendimento de 2 de seus principais rivais, Flamengo e Botafogo, que conseguiram uma vaga para disputa da Libertadores, torneio que o clube das Laranjeiras estava acostumado a disputar na era Unimed.

Além disso, o clube perdeu no meio do ano um dos seus ídolos recentes, o goleador Fred, para o Atlético Mineiro, e se viu obrigado a mudar totalmente o seu sistema de jogo, que girava em função do artilheiro.

Em 2017, o planejamento do clube focou em manter a base da equipe e trazer alguns reforços pontuais que se encaixam na categoria “bons e baratos”, reflexo ainda da reerguimento financeiro que o Fluminense atravessa. O técnico Abel Braga, o “Abelão” foi contratado por já conhecer o clube e por ter uma história regada a títulos nas Laranjeiras.

A falta de um patrocinador principal é o grande desafio do Fluminense nessa temporada, pois normalmente é ele quem gera uma receita maior para o clube e auxilia nas grandes contratações.

Mercado de transferências tricolor

Sem dinheiro para grandes contratações, o Fluminense se viu obrigado a fazer algumas apostas no mercado. Após o vice-campeonato da Libertadores, muitos jogadores Independiente del Valle (EQU) despertaram interesse de vários clubes da América do Sul, e o Fluminense se adiantou fechando no meio do ano de 2016 as contratações do volante Jefferson Orejuela e do meia-atacante Júnior Sornoza, ambos equatorianos de 23 anos, considerados promessas em seu país, mas que chegaram apenas em janeiro de 2017.

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Além deles, o Flu trouxe o lateral-direito Lucas, vinculado ao Palmeiras, mas que teve passagem recente de destaque pelo Botafogo.

O grande reforço para a temporada até agora foi a permanência do jovem Gustavo Scarpa, que recebeu oportunidades na seleção brasileira principal, no jogo contra a Colômbia, e que vem demonstrando muita qualidade como o clássico 10, despertando interesse de grandes clubes brasileiros e até mesmo da Europa.

O Fluminense manteve grande parte de seu plantel, e dentre os principais jogadores saíram apenas o lateral-direito Wellington Silva, muito contestado durante a temporada 2016, e que deu lugar a Lucas e o experiente atacante Magno Alves, o magnata, que retornou ao Ceará, mas já teve seu espaço ocupado por Sornoza.

Previsão para 2017

A equipe iniciou bem o ano, com 3 vitórias nos 3 primeiros jogos da temporada, incluindo um 3 a 0 no primeiro jogo oficial contra o atual campeão carioca, Vasco da Gama. A equipe soma 7 gols marcados e nenhum sofrido e já está com a classificação encaminhada para semi-final da Taça Guanabara. Pelo bom futebol demonstrado no início da temporada, a equipe de Abelão entra como uma das favoritas ao título do Carioca 2017.

Na Primeira Liga, o clube tem a missão de defender o título conquistado ano passado. Como a base do elenco se manteve do ano passado pra cá, a tendência é que o clube faça uma boa competição, com chances de buscar o bicampeonato.

Além dos dois campeonatos, a Copa do Brasil entra no calendário tricolor para o primeiro semestre. O Flu estreia contra o modesto Globo FC, e é sempre uma equipe que entra para chegar nas fases finais da competição. Sua maior dificuldade chegará a partir das quartas-de-final, onde as equipes que disputam a Libertadores também entram na briga.

O extenso calendário tricolor ainda tem o Brasileirão e a Sul-Americana, onde o clube não entra como favorito em questão de elenco e futebol mostrado na última temporada, mas como uma equipe que pode surpreender, principalmente se conseguir encaixar alguns jovens talentos à equipe.

Pontos fortes x Pontos fracos

O principal ponto forte do Fluminense é o treinador Abel Braga, que demonstra um grande conhecimento e paixão pelo clube. Ele foi contratado sabendo das limitações financeiras da equipe, mas tem muita experiência no futebol e tem capacidade de extrair o melhor de seus comandados. Além disso, ele pode ser o pivô da reconciliação com parte da torcida, que tem ficado na bronca com o time com a brusca queda de rendimento das últimas duas temporadas.

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Outro ponto forte é a base de Xerém, que nos últimos anos vem mostrando que tem muita qualidade e pode ser uma válvula de escape para que o plantel tricolor ganhe alguns reforços e talentos sem precisar gastar muito por isso. Gustavo Scarpa é o mais recente exemplo dos meninos de Xerém, que contam ainda com bons nomes que vem atuando entre os profissionais e com a equipe sem muito dinheiro para investimento, podem acabar tendo mais oportunidades e se firmando na equipe principal. O atacante Richarlison, que está com a seleção brasileira sub-20, é outro nome que revela a força da base do tricolor carioca.

Um fator que pode ser tanto um ponto forte como um ponto fraco é a ausência de estrelas ou atletas muito badalados no grupo. Com isso, nenhum jogador tem vaga cativa e tem que mostrar o seu melhor para conseguir seu espaço no grupo. Mas essa ausência de referência também pode ser ruim, principalmente para o torcedor, que procura sempre por um ídolo. Cabe aos atletas darem o máximo para se tornarem essas figuras de referências, que hoje apenas o jovem Gustavo Scarpa, e um pouco o goleiro Diego Cavalieri conseguem se aproximar desse status.

Entre os pontos fracos estão o baixo investimento para a temporada, já que nos dois últimos anos o Fluminense não conseguir boas exibições, principalmente no campeonato Brasileiro, e precisa voltar a brigar por Libertadores, fator obrigatório e objeto de obsessão para todo grande clube no Brasil, e com isso o clube não tem condições de trazer grandes reforços, que cheguem para somar e dar mais qualidade ao plantel.

A direção do clube também pode ser apontada inicialmente como um ponto fraco, já que vem sendo duramente criticada por membros e ex-membros da alta cúpula da equipe por ter um pensamento para o Fluminense de equipe mediana. E essas críticas podem refletir no desempenho dentro do campo da equipe, com diversas especulações e incertezas que rodam as Laranjeiras.

O presidente Pedro Abad já falou abertamente que o clube precisa vender jogadores para equilibrar as contas do Fluminense, o que pode causar instabilidade no grupo comandado por Abel Braga, já que os destaques podem acabar sendo influenciados por assuntos extra campo.

Um último ponto que pode vir a ser uma fraqueza para o 2017 do Fluminense são a grande quantidade de atletas jovens no elenco, pois ao mesmo tempo que isso pode se tornar um ponto forte e os jogadores podem render ao máximo, a falta de experiência de alguns atletas pode pesar contra e atrapalhar as ambições do grupo. Cabe ao treinador Abel Braga trazer o elenco para suas mãos e conseguir transformar a juventude em vontade de vencer.

Por Gustavo Pereira

Raio-X do Flamengo em 2017

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Após uma temporada com muitos altos e baixos, com eliminações decepcionantes para o Fortaleza na Copa do Brasil e Palestino (CHI) na Sul-Americana, além da não conquista do campeonato carioca e nem do Brasileirão, o ano de 2016 do Flamengo terminou um tanto quanto melancólico.

Após uma sensível melhora no rendimento entre o fim do 1 º turno e início do 2 º, a torcida ficou até as últimas rodadas do Brasileirão com o “cheirinho de título”, mas nas últimas rodadas acabou tropeçando muito e terminou na 3 ª colocação, com 71 pontos, mesma pontuação do vice-campeão, Santos, suficiente para sua classificação direta para a fase de grupos da Libertadores.

Em 2017 o Rubro-negro carioca não foi um dos clubes que mais movimentou o mercado de transferências. Fez apenas algumas contratações pontuais, sofreu poucas perdas em seu elenco e conseguiu manter a espinha dorsal do elenco de 2016.

Mercado de transferências rubro-negro

O Flamengo terminou o ano com o time compacto, porém sem conseguir surpreender tanto os adversários, com algumas de suas principais jogadas já bem marcadas. Ao fim do ano de 2016, o técnico Zé Ricardo perdeu o meio-campista Alan Patrick, que voltou de empréstimo para o Shakhtar Donetsk (UCR) e o ponta-de-lança Fernandinho, que voltou de empréstimo para o Grêmio. Além disso, o Flamengo emprestou o insatisfeito goleiro Paulo Victor, ao Gaziantepspor (TUR) não renovou os contratos do lateral-esquerdo Chiquinho e do atacante Emerson Sheik.

Na última semana, o rubro-negro carioca sofreu a única grande perda em seu elenco,  vendeu um dos principais jogadores do time, o lateral-esquerdo Jorge, de 20 anos, cria da base, e que recentemente estreou na seleção brasileira principal, no jogo comemorativo contra a Colômbia. O jovem promissor foi vendido ao Mônaco por 8,5 milhões de euros, segundo a TransferMarkt.

Desde o início do ano o presidente Bandeira de Mello disse que buscava qualificar seu elenco sem gastar muito com contratações. Com isso, trouxe alguns bons jogadores a custo zero. O primeiro a chegar foi o lateral-esquerdo peruano, Miguel Trauco, para suprir a lacuna deixada na posição. Depois, o rubro-negro conseguiu a contratação de um ídolo rival (Fluminense), Dário Conca, que estava no Shanghai SIPG, e veio por empréstimo de um ano, inicialmente para se recuperar de lesão e depois para atuar pelo Fla. E a última contratação a custo zero foi o volante Rômulo, revelado pelo Vasco e com passagens pela seleção brasileira, que estava no Spartak Mouscou.

Além deles, o Flamengo trouxe o ponta-de-lança colombiano Orlandio Berrío, junto ao Atlético Nacional, por 3,27 milhões de euros, segundo a TransferMarkt, para suprir a saída de Fernandinho e fechou também a contratação do lateral-esquerdo René, do Sport de Recife, com o valor ainda não informado, que vem após a venda de Jorge.

Previsão para 2017

A equipe conseguiu manter grande parte de seu elenco titular e continuou com Zé Ricardo no comando. O elenco é muito qualificado, sendo um dos mais fortes do Brasil. Se reforçou bem, de forma pontual, mas com um bom planejamento.

Em 2017 tem muitas competições em seu calendário, Campeonato Carioca e Primeira Liga logo no início do ano, Libertadores da América, Brasileirão e Copa do Brasil. Pensando nisso, o rubro-negro carioca construiu um elenco com mais de um jogador por posição, que somado a bons valores da base, formam o plantel do Flamengo para 2017.

No campeonato carioca o Rubro-Negro iniciou com duas vitórias, por 4×1 contra o Boavista e 3×0 contra o Macaé, e a expectativa é que a equipe faça uma boa competição, com possibilidades de título. Na Primeira Liga o clube busca apagar a eliminação da edição passada contra o Atlético-PR em Juiz de Fora e se firmar como um pretendente ao título.

Principal competição do ano, a Libertadores é o grande objeto de obsessão do Flamengo. No grupo 4, o Mengão tem uma difícil tarefa logo na fase de grupos, onde vai medir forças com San Lorenzo (ARG), Universidad Católica (CHI) e com o vencedor do G1, que tem de um lado Atlético-PR contra o Milionários (COL) de um lado e o vencedor de Deportivo Capiatá (PAR) x Deportivo Táchira (VEN) ou Universitario (PER). Mas com um elenco equilibrado, tem boas chances de chegar às etapas finais da competição.

No Brasileirão a equipe terminou 2016 como postulante ao título, e após o mercado de transferências de janeiro, continua como uma das principais equipes do Brasil, entrando para brigar por títulos.

Pontos fortes x Pontos fracos

O principal ponto forte da equipe é a manutenção do elenco, somado aos reforços que chegaram para suprir as grandes carências do Fla. O goleiro Alex Muralha, o volante Willian Arão e o meio-campista Diego, recém convocados para a seleção brasileira, estão em alta, e podem contribuir em muito para uma campanha vitoriosa da equipe carioca.

A torcida mostrou um grande apoio em 2016, mesmo com o Flamengo jogando grande parte do ano longe do Rio de Janeiro, e pode ter um papel determinante também em 2017, já que o Maracanã está sofrendo com uma má gestão e a Ilha do Governador, estádio onde o Botafogo mandou alguns jogos ano passado, é a principal solução para a equipe, mas que ainda precisa de reformas.

A base rubro-negra também é uma arma para 2017. Após ser campeão da Copinha em 2016, a equipe foi eliminada nas quartas-de-final em 2017, ao ser derrotado pelo campeão Corinthians. Mas além de resultados dentro de campo, nos últimos anos o Flamengo vem conseguindo produzir alguns bons talentos, retornando à máxima de que “Craque o Flamengo faz em casa”. Exemplos disso são o zagueiro Léo Duarte, o volante Ronaldo, os meio-campistas Matheus Sávio e Lucas Paquetá e o centroavante Felipe Vizeu. (Os três últimos estão representando o Brasil na seleção sub-20).

Na edição de 2017 da Copinha, outros bons nomes surgiram: o principal deles é o ponta de apenas 16 anos, Vinícius Júnior, que pode ganhar algumas chances no elenco profissional, mesmo sendo ainda muito novo, mas devido a uma carência na posição; outros bons nomes são do zagueiro Dener, capitão da última competição e do meio-campista Jean Lucas, que podem servir o elenco principal, caso o elenco sofra com desgaste físico ou lesões.

Principalmente quando o argentino Dário Conca puder atuar, o excesso de estrangeiros no elenco pode se tornar um ponto forte ou fraco, dependendo de como o treinador Zé Ricardo conseguirá lidar com a situação, já que em competições nacionais é possível inscrever apenas 5 estrangeiros, e o Flamengo conta com 7 em seu elenco: o zagueiro argentino Alejandro Donatti, o lateral-esquerdo peruano Miguel Trauco, o volante colombiano Gustavo Cuellar, os meio-campistas Federico Mancuello e Dário Conca, o centroavante peruano Paolo Guerrero e o recém-contratado atacante pelos lados colombiano Orlando Berrío.

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Como pontos fracos podemos apontar a zaga rubro-negra, que apesar de ter melhorado muito, principalmente com a dupla Rafael Vaz e Réver, ainda não demonstra grande segurança e sofre com algumas falhas. Seus reservas imediatos, Juan e Donatti, estão em baixa e não conseguem jogar bem. Uma opção é a utilização do jovem Léo Duarte, que foi solução antes da chegada de Vaz e Réver, mas que passou a não ter muitas oportunidades com a chegada de Zé Ricardo.

Outro ponto fraco do Mengão para 2017 é a insistência de Zé Ricardo em algumas decisões equivocadas. No fim de 2016 algumas substituições sem sucesso e insistências em uma formação sem efetividade tiraram o clube da disputa por título. Nesse ano, a equipe iniciou conseguindo marcar mais gols e sendo bem agressiva, mas ainda não enfrentou equipes de nível série A ou Libertadores.

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Com um bom elenco, cabe a Zé Ricardo conseguir trabalhar bem o seu elenco e ter ele não mãos. Em 2016 alguns jogadores demonstraram insatisfação por não estarem atuando, casos de Paulo Victor, Adryan e Mancuello. PV acertou sua saída por empréstimo, Adryan ganhou uma chance na partida contra o Boavista e Mancuello vem jogando como titular na ponta direita. O principal desafio do treinador é manter o grupo unido e sem nenhum atleta desmotivado.

Os chamados jogadores de lado de campo ainda são um problema para o Flamengo. Contando apenas com Éverton, Gabriel e Berrío para a posição, já que o jovem Thiago Santos se lesionou e deve perder boa parte da temporada, Zé Ricardo vem deslocando Adryan e Mancuello para atuar pelos lados, e Vinícius Júnior pode ser uma opção caseira interessante. Com isso a equipe perde em recomposição, algo tão importante para o Flamengo armado por Zé. Somado a isso, temos os laterais Pará e Rodinei pela direita, Trauco e René pela esquerda, que atuam melhor de forma ofensiva do que defensiva, o que pode vir a sobrecarregar os volantes de marcação e impedir que Rômulo e Willian Arão tenham maior liberdade para jogar.

A falta de um estádio de grande porte também é uma dificuldade para o Flamengo. Com o Maracanã parado, a Ilha do Governador é o estádio mais cotado para o rubro-negro mandar suas partidas, porém sua capacidade é muito reduzida, cabendo no máximo 20 mil torcedores. Em jogos maiores, dificilmente conseguirá comportar os torcedores rubro-negros, e o Flamengo será obrigado a sair para jogar, a exemplo do que fez em 2016, para adquirir um bom público e consequentemente uma boa renda.

Imbróglio do Maracanã

O estádio sofreu com duas más gestões, primeiro da Odebrecht, envolvida na Operação Lava-Jato, e depois com o consórcio que gerenciou o estádio durante as Olimpíadas Rio 2016. Os custos e as contas, como por exemplo a de luz, não vinham sendo pagas, e com isso o Maracanã, estádio mais conhecido do mundo está em estado deteriorante, inclusive com cadeiras e outros objetos sendo roubados ou destruídos, completamente abandonado.

A ideia inicial era de que se fizesse uma licitação para que uma nova empresa assumisse o estádio. Porém com tantos problemas, vai ser difícil alguma empresa que assuma os riscos de gerenciar o estádio. O Flamengo, via o presidente Bandeira de Mello, já anunciou que não faz nenhuma questão de jogar no Maracanã caso a empresa vencedora seja “mercenária”, sendo palavras do próprio presidente.

Por Gustavo Pereira