A Titebilidade que vem dando certo

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Desde que assumiu a seleção brasileira, Adenor Leonardo Bachi, o Tite, vem batendo recordes e encantando com um futebol envolvente.

O treinador estreou contra o Equador, fora de casa, e tinha como objetivo retomar a credibilidade da seleção brasileira. E no primeiro jogo vitória por 3 a 0. Mas Tite não parou por aí, e conseguiu mais outras 7 vitórias, incluindo as goleadas sobre a Bolívia, por 5 a 0, Argentina por 3 a 0 e Uruguai, por 4 a 1.

No último jogo, venceu o Paraguai por 3 a 0 e se tornou o primeiro treinador da seleção brasileira a vencer seus 8 primeiros compromissos pelas eliminatórias pra Copa do Mundo. Além disso, o Brasil ocupa agora o 1 º lugar no ranking de seleções da FIFA, ultrapassando a Argentina na última rodada.

Na “Era Dunga” pelas eliminatórias foram 6 partidas, com 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota. A seleção vinha mal e o técnico acabou caindo. Em seu lugar assumiu Tite, que já somou 24 pontos nas eliminatórias, e transformou um Brasil desacreditado em uma potência, sendo inclusive a 1 ª seleção a garantir vaga na Copa do Mundo da Rússia, a exceção da própria Rússia, que já está classificada por sediar a competição.

O saldo de gols do Brasil de Tite é de 23 gols positivos, tendo seus comandados marcado 25 gols e sofrendo apenas 2, nas vitórias por 2 a 1 sobre a Colômbia e 4 a 1 sobre o Uruguai.

Mas outro aspecto que marca a “Era Tite” é a convocação de jogadores muito questionados, mas que vem rendendo, a chamada Titebilidade.

Titebilidade

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O principal sucesso da carreira de Tite foi no Corinthians, onde conquistou 6 títulos em suas 3 passagens. E parece que o treinador leva com carinho a equipe e seus ex-comandados, já que não abre mão de alguns jogadores que atuaram com ele no Corinthians. Desde a primeira convocação, alguns nomes vem sendo questionados na escalação de Adenor Leonardo Bachi.

-Fágner: Único jogador que ainda atua no Corinthians, o lateral-direito não tem muita popularidade, e nomes como o de Mariano e Fabinho surgem com muito mais força que o de Fágner, que é considerado por alguns críticos como violento. Com a suspensão de Daniel Alves foi titular na última partida.

-Gil: Zagueiro de confiança da última passagem de Tite pelo Corinthians, se transferiu para China (Shandong Luneng), e mesmo jogando pouco, continua como nome forte nas convocações de Tite, deixando nomes como David Luiz de fora. É reserva e não tem tido muitas chances na seleção.

-Paulinho: Volante do Guangzhou Evergrande, é titular da seleção brasileira em uma trinca de volantes que ainda conta com Casemiro e Renato Augusto, e apesar dos poucos jogos que vem tendo na China, tem se destacado na seleção, inclusive com o primeiro hat-trick de sua carreira no jogo contra o Uruguai.

-Renato Augusto: Ao lado de Paulinho, o jogador do Beijing Guoan, também é titular na seleção brasileira, apesar de atuar na China, e tem mostrado um futebol muito convincente. Soma-se a confiança de Tite, Renato ter sido titular na seleção olímpica campeã inédita em 2016, como um dos 3 jogadores acima de 23 anos.

Outra característica de Tite é testar alguns jogadores, principalmente que atuam no futebol brasileiro, para assim ampliar seu leque de opções nas próximas convocações, e para substituir a altura, eventuais lesionados ou suspensos.

 

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Existe uma idade certa para um jogador subir para o profissional?

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Um dos assuntos mais discutidos desde o início de 2017 é o talento do jovem meia-atacante do Flamengo, Vinícius Júnior, que demonstrou ter estrela e com apenas 17 anos foi o principal nome do rubro-negro carioca na Copinha, que é sub-20, e comandou a seleção brasileira no título do campeonato Sul-Americano sub-17, além de ser premiado como artilheiro e melhor jogador da competição.

Devido ao inegável talento de Vinícius Júnior, vários veículos de comunicação esportiva começaram a discutir uma possível presença do jovem no profissional rubro-negro. O presidente do Fla, Eduardo Bandeira de Mello, falou que não só o Vinícius Jr, como todos os jovens das categorias de base rubro-negra, estão sendo preparados com tranquilidade pelas equipes responsáveis, que fazem o trabalho de transição da base para o profissional.

Antes da gestão de Bandeiro de Mello, o último caso mais notório foi a subida de uma geração que tinha o volante Muralha, os ponta-de-lança Thomas e Rafinha e os meia-atacantes Mattheus, filho do Bebeto, e Adryan, que estreou com apenas 17 anos, assim como Vinícius Jr, mas que acabou se queimando por não repetir o mesmo sucesso que fazia na base.

Após a mudança de gestão, o atual mandatário rubro-negro reforçou que investiria na base, assim como ressaltou que “craque o Flamengo faz em casa”, que é uma das frases mais emblemáticas da equipe, que já revelou grandes nomes como Zico, Júnior, Andrade, entre outros.

E essa mudança surgiu efeitos rápidos, já que em 2015 o Flamengo conquistou a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a Copinha, após bater o Corinthians na final. Na época, a equipe profissional passava por uma reformulação, e com isso, muitos jovens subiram para o profissional, para completar o plantel, casos do goleiro Thiago, do zagueiro Léo Duarte, do volante Ronaldo, dos meios-campistas Matheus Sávio e Lucas Paquetá, do ponta-de-lança Cafú e do centroavante Felipe Vizeu.

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(Da esquerda para a direita temos Douglas Baggio, Dener, Matheus Sávio, Felipe Vizeu e Ronaldo)

Desses, apenas Léo Duarte teve uma sequência de jogos como titular, devido a carência de nomes para a posição no início de 2016, mas após o Flamengo reforçar o setor, tem tido poucas chances. Felipe Vizeu foi o que mais se destacou, substituindo Paolo Guerrero em alguns jogos e com atuações muito consistentes, continuou tendo oportunidades após a chegada de outro centroavante, Leandro Damião.

Já em 2017, a exceção de Léo Duarte, todos os outros jovens citados tem tido oportunidades com Zé Ricardo, treinador da base que foi campeã em 2015. Da campanha atual na Copinha, apenas o meio-campista Jean Lucas já teve oportunidades entre os profissionais, atuando em uma partida do campeonato carioca. Dois dos principais valores da atual base rubro-negra, Vinícius Jr e Lincoln não tiveram férias, e emendaram a Copinha com a preparação e disputa do Sul-Americano sub-17.

Exemplos recentes de jovens entre os profissionais

Revelação do campeonato brasileiro Série A 2015, Gabriel Jesus é o mais recente exemplo brasileiro de que idade não é determinante para ter a maturidade tão exigida entre os treinadores profissionais. Em menos de dois anos, o ainda jovem de apenas 19 anos foi o melhor jogador do Brasileirão 2016, foi vendido e já atua pelo Manchester City (ING), com status de estrela na equipe de Pepe Guardiola, além de ser titular da seleção brasileira.

Outro jogador que estreou nos profissionais com apenas 17 anos foi Neymar Jr, pelo Santos, e logo despertou interesse de grandes clubes do futebol mundial, assim como Vinícius Jr, e foi vendido ao Barcelona na transferência mais cara do Santos na história.

Mais um exemplo de jovem que subiu muito cedo aos profissionais é Gabriel Barbosa, o Gabigol, que fez seu primeiro jogo pelo time principal do Santos com apenas 16 anos, e após um bom começo foi pra Inter de Milão (ITA), mas tem encontrado dificuldades para se firmar na equipe italiana.

Olhando um pouco para o futebol internacional, o maior exemplo atual é do jovem goleiro do Milan, Gianluigi Donnarumma, que estreou com apenas 16 anos e se tornou o goleiro mais jovem a jogar uma partida do campeonato italiano, e atualmente é considerado um dos melhores goleiros do mundo com apenas 18 anos, recém completados.

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(Goleiro titular do Milan com apenas 18 anos, Gianluigi Donnarumma)

Além do Donnarumma, outros jogadores tem status de titular em suas equipes, e começaram a ganhar espaço muito cedo, com 17, 18 anos, casos do meio-campista inglês Dele Alli, do volante português que foi titular no inédito título de Portugal na Eurocopa 2016, e dos atacantes Marcus Rashford do Manchester United, e Ousmane Dembélé, que se destacou no Rennes e com apenas 18 anos se transferiu para o Borussia Dortmund, onde atua como titular incontestável.

 

 

 

Felipe Moreira: O juiz-forano de 19 anos que já é titular do Minas.

felipe roque(Foto: Arquivo pessoal Felipe Roque)

Em entrevista exclusiva, o juiz-forano Felipe Moreira Roque, de apenas 19 anos, contou um pouco sobre a sua temporada no Minas Tênis Clube, suas ambições para o futuro e sobre a reestruturação do Minas após a perda de seu principal patrocinador. O oposto que iniciou sua carreira no Clube Bom Pastor/UFJF e se transferiu para o Minas ainda nas categorias de base, já tem experiência em campeonatos de alto nível, já que disputou o mundial da categoria sub-19 pelo Brasil.

O Minas Tênis Clube é uma das equipes mais antigas e tradicionais do voleibol nacional. A equipe disputou todas as edições da Superliga de Vôlei e já conquistou 4 títulos da competição (1999/2000, 2000/2001, 2001/2002, 2006/2007), além de ter sido vice-campeão outras 3 vezes (2004/2005, 2005/2006, 2008/2009).

Desde a década de 90, a empresa de telefone Telemig Celular, que depois foi comprada pela Vivo, foi a principal patrocinadora da equipe masculina do Minas, mas ao fim da última temporada essa longa parceria chegou ao fim e o Minas teve de procurar um novo patrocinador principal, o que obrigou a equipe a apostar em jovens talentos da base e poucos reforços pontuais para a temporada 2016/2017.

A equipe perdeu muitas peças como o oposto cubano Escobar, o levantador Everaldo, os ponteiros Everaldo e Raidel e o líbero Lucianinho. E para repor essas perdas contratou outro oposto cubano, Yordan Bisset, os ponteiros Mão e o experiente Samuel, que retornou à equipe, e o levantador Thiago Gelinski.

Devido a demora na definição do novo patrocinador principal, Felipe contou que o projeto do Minas de utilização dos atletas da base teve de se intensificar, já que a equipe só teve verba suficiente para contratar algumas peças em posições chaves para dar mais experiência e rodagem ao time.

Sobre o modo que a diretoria conduziu ao preparar os jovens para a composição do elenco principal, o oposto Felipe Roque afirmou que acabou sendo um processo natural:

Felipe: “O minas quer voltar às antigas tradições de usar membros da base na ponta , e com isso eles dão todo o suporte técnico para que os jovens consigam ganhar seu espaço”

Logo no início da Superliga, parecia que o Minas não conseguiria manter o nível de competitividade das temporadas anteriores, já que a equipe começou oscilando muito, principalmente com derrotas em casa para o Brasil Kirin por 3 a 1, e para o JF Vôlei por 3 a 0. Felipe justificou que a oscilação se deu principalmente devido a algumas ausências:

“No início da Superliga ocorreram várias lesões , e com isso o time quase nunca estava completo . Com a recuperação de todos o time titular pode se estabilizar nos jogos”

Mas conseguiu se recuperar a tempo e terminou a fase classificatória em 6 º lugar, com 34 pontos, 12 vitórias e 10 derrotas. Agora enfrenta o Sesi-SP nas quartas-de-final, com o primeiro jogo marcado para o dia 18 de março, às 14:10 de tarde, com transmissão da Rede TV.

O jovem Felipe Roque, de 19 anos, e 2,06 metros de altura, foi uma das peças importantes para essa arrancada do Minas, já que o oposto cubano Bisset passou boa parte da temporada lesionado e o jovem talento agarrou sua oportunidade, sendo um dos destaques do time. O atleta que também atua pela seleção brasileira de base, destacou a importância de ir bem em sua primeira Superliga.

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(Foto: Blog Saída de Rede)

“Essa é a minha primeira Superliga , é uma experiência completamente nova pois nunca tinha jogado um campeonato desse nível”

E ainda projetou o seu futuro próximo no voleibol:

“Ainda tenho que melhorar em muitos aspectos, eu penso em evoluir a cada dia para ser um jogador completo . Assim podendo me estabilizar no mercado do vôlei”

Sobre o que esperar do Minas nas quartas-de-final, contra o Sesi-SP, Felipe destacou que a equipe está preparada para representar a história e tradição que o Minas tem na Superliga.

“A gente tem treinado e estudado muitos nossos adversários e com certeza vão ser jogos duros . Então pode esperar muita dedicação e foco para os play-offs”

O juiz-forano Felipe Moreira Roque terminou a primeira fase da Superliga como o 20 º jogador que mais pontuou na Superliga, tendo marcado 213 pontos. Em sua equipe, apenas o central e capitão Flávio pontuou mais vezes, 218 pontos.

Por Gustavo Pereira

 

 

 

Campeonato estadual pra quem?

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(triste realidade dos estaduais pelo Brasil)

Entra ano e sai ano, mas as discussões sobre os campeonatos estaduais persistem. De um lado, os times considerados “grandes”, em sua maioria entre as Séries A e B questionam o calendário e a eficiência do campeonato estadual. Do outro, os clubes pequenos veem nos estaduais a sua grande oportunidade de fazer uma boa campanha e garantir a continuidade de seu elenco durante o ano com a disputa das Séries C e D, além de já ficarem de olho nas vagas para a Copa do Brasil do ano seguinte.

Um terceiro lado ainda entra nessa discussão. E ele é representado pelas emissoras de televisão, que pagam aos clubes para transmitirem suas partidas, vendem pacotes exclusivos com a transmissão dos campeonatos estaduais e com isso exigem das equipes partidas atrativas no ponto de vista do espetáculo futebolístico.

Além disso, as federações estaduais vem tendo muitos problemas com as equipes quanto a calendário e outras questões burocráticas, sem contar que os campeonatos estaduais decepcionam em quesito de renda e público presente nos estádios, muito por conta de jogos pouco atrativos ao público, com um abismo técnico de diferença entre a maioria dos clubes grandes e pequenos, salvo uma ou duas zebras que as vezes aparecem nos estaduais.

Pensando nisso, no ano de 2016 vários clubes influentes no cenário nacional decidiram por criar a Primeira Liga, que inicialmente se chamava Copa Sul-Minas-Rio, afim de promover jogos atrativos aos torcedores logo no início da temporada. Além dela, existem ainda a Copa Verde, que tem como principal enfoque equipes do Centro-Oeste e Norte do Brasil e a Copa do Nordeste, que são disputadas de forma simultânea com os campeonatos estaduais, mas que permitem confrontos de gigantes na maioria dos jogos.

O resultado dessas uniões foi o enfraquecimento ainda maior dos campeonatos estaduais, e as equipes grandes sempre priorizando as outras competições e optando por um time alternativo para os confrontos do estadual, como ocorreu por exemplo na Taça Guanabara desse ano, que o Botafogo enfrentou o Flamengo no maior clássico do grupo, e preferiu jogar com o time “B” no domingo, já que tinha um confronto importante pela pré-Libertadores já na quarta-feira.

O problema é que ainda existem muitas partes interessadas em manter os campeonatos estaduais são as próprias federações estaduais, que mesmo com o esvaziamento dos estádios e queda considerável do prestígio do campeonato, parecem continuar lucrando, da CBF, que utiliza os estaduais como modo de organização da Série D e da Copa do Brasil do ano do seguinte, além é claro dos times pequenos, que utilizam os estaduais como determinante de continuação ou não do projeto durante todo o ano ou apenas por 3 meses, que é duração dos estaduais.

Já as emissoras de televisão acabam ficando em um impasse, já que percebem os estádios com públicos ínfimos, partidas nada atrativas do ponto de vista do espetáculo, e ainda tem de transmitir partidas com equipes alternativas, que acabam disputando a maior parte dos jogos pelas equipes grandes.

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Do outro lado, essas emissoras já possuem contratos televisivos longos com grande parte dos campeonatos estaduais e por isso não tem o mínimo interesse que o prestígio dessa competição vá acabando aos poucos, e com isso acabam pressionando as equipes grandes e as federações a ao menos uma das equipes consideradas “grandes” se adequarem ao horário televisivo e utilizarem ao menos grande parte dos destaques de seus elencos, para não deixar o espetáculo se perder.

Por Gustavo Pereira

Mengão na Libertadores

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O Flamengo estreou na noite de ontem pela Copa Bridgestone Libertadores contra o time do Papa, o San Lorenzo. Em um Maracanã lotado, com quase 70 mil presentes, o que se viu foram dois jogos diferentes em uma mesma partida, já que o clube mudou radicalmente do primeiro para o segundo tempo.

O jogo

No primeiro tempo parecia que o jogo se encaminharia para um empate sem gols. O gramado do Maracanã estava castigado, a bola não rolava perfeitamente, e o Flamengo parecia insistir nas mesmas jogadas, sempre na velocidade com os laterais e pontas, para tentar um cruzamento certeiro para área. Mas saiu de uma roubada de bola de Willian Arão, a jogada mais perigosa do primeiro tempo: com uma linda enfiada de bola entre os zagueiros, Arão achou Éverton e a bola caprichosamente bateu na trave.

No segundo tempo o jogo foi outro! O combo mudança tática na forma do Flamengo se distribuir em campo, principalmente após a entrada do colombiano Berrío, após Mancuello ter saído depois de um choque de cabeça com o adversário que o deixou desacordado, somado ao cansaço por parte do San Lorenzo, que não jogava uma partida oficial fazia 74 dias, fez com que o Mengão engrenasse a quarta marcha e passasse por cima dos argentinos, na única vitória do Brasil x Argentina dentre os 3 confrontos entre times dos dois países na quarta-feira (Godoy Cruz empatou x Atlético-MG e Atlético Tucumán x Palmeiras empataram em 1 a 1).

O primeiro gol saiu à La Zico, com uma linda cobrança de falta de Diego, que usa a camisa 10 na Libertadores, explodindo o Maraca. Depois disso só deu Flamengo, já que a estratégia do San Lorenzo de se fechar todo e sair com um empate tinha sido furada e os argentinos não tinham força nem para puxar um contra-ataque.

Em um lindo chute da entrada a área, o peruano Miguel Trauco soltou uma bomba e marcou o 2 º gol rubro-negro. Após cobrança de escanteio de Diego, a bola sobrou na segunda trave e Rômulo meteu a cabeça na bola para marcar o 3 º gol. E ainda tinha caixa pra mais, Gabriel entrou no jogo no lugar de Éverton e incendiou a partida, primeiro com dribles desconcertantes para cima do zagueiro Angeleri, que resultou no pênalti perdido por Paolo Guerrero, depois, após mais uma excelente jogada individual, chutou da entrada da área e marcou um golaço, fechando a goleada e o primeiro jogo do Mengão na Libertadores 2017.

Destaques: O zagueiro e capitão Réver mostrou porque carrega a faixa e fez muito bem o papel de xerife na zaga rubro-negra. O meia Diego, apesar de não ter sido brilhante, sempre que solicitado, foi ativo no jogo, controlando a bola e girando o jogo.

Zé Ricardo: o dedo do técnico dessa vez foi muito positivo para o Flamengo, já que tanto Berrío como Gabriel entraram muito bem e incendiaram o jogo. Berrío dominou o lado direito e provavelmente ganhe aos poucos a vaga de Federico Mancuello, que joga improvisado na função. Já Gabriel, fez uma de suas melhores partidas no ano, sendo um jogador agudo e com dribles rápidos.

Show a parte da torcida

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Diferentemente do ano passado, dessa vez o fator Maracanã parece ter dado inspiração aos jogadores, que claramente sentiram a atmosfera de 70 mil pessoas embalando cada toque na bola. O mosaico prometido antes do jogo apenas implementou na grande festa dos rubro-negros, que cantaram durante 90 minutos e mostraram a força do Flamengo em casa.

O Maracanã foi uma aposta do Flamengo para atrair o torcedor para o jogo mais importante do ano até agora, e ela deu certo, já que apenas nesse jogo, as arquibancadas contaram com quase 10 mil torcedores a mais do que em todos os jogos oficiais disputados pelo Flamengo em 2017.

Próximos jogos na Libertadores

Após uma goleada logo no primeiro jogo, o sentimento é de total euforia, o que é normal. Só que não se pode desconsiderar que o Flamengo está no que é podemos chamar de grupo da morte. No outro jogo do grupo, o Atlético-PR abriu 2 a 0 e viu a Universidad Católica empatar nos últimos minutos.

O próximo compromisso do Mengão inclusive é no Chile, onde visita a Universid Católica que ganhou tudo no Chile em 2016, e promete fazer uma partida muito dura. Depois dos confrontos contra o brasileiro Atlético-PR, onde o Flamengo costuma sempre encontrar dificuldades, mas de onde pode sair a classificação para a próxima fase se a equipe fizer dois bons jogos e conquistar ao menos 4 dos 6 pontos possíveis.

Depois o Fla recebe o Universidad Católica, na 5 ª rodada, e provavelmente esse jogo vai definir os classificados do grupo. Na última rodada, a parada vai ser contra um outro San Lorenzo, já com muito mais ritmo de jogo e pegada de Libertadores, além do fator jogo na Argentina, que é sempre um risco para os clubes brasileiros, principalmente pela catimba dos hermanos.

Na estréia a equipe fez a sua parte, agora é manter o foco para conseguir a classificação para a fase de mata-mata da Libertadores.

Por Gustavo Pereira

 

 

A polêmica da torcida única no futebol

torcida-unicaFoto: Davi Barros- (audiência por torcida única no Fla-Flu)

Em reunião realizada nesta quinta-feira no Fórum do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, decidiu por manter a liminar que determina torcida única em jogos realizados no Rio de Janeiro, e como o Fluminense foi apontado pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) como mandante da partida, apenas torcedores tricolores poderão acompanhar o jogo no estádio Nilton Santos, o Engenhão, no próximo domingo.

A decisão da Ferj de que clássicos sejam realizados com torcida única se deu a partir do jogo entre Flamengo e Botafogo, válido pela fase de grupos da Taça Guanabara, onde um carro passou atirando nas proximidades do estádio e matou um torcedor do Botafogo, além de outros conflitos entre as torcidas.

Outro fator agravou a situação, quando um torcedor do Flamengo se “infiltrou” na torcida do Vasco e em sua conta nas redes sociais fez uma “aposta”, onde se chegasse a um certo número de curtidas, tiraria a bandagem que usava para cobrir sua tatuagem do Flamengo. O resultado foi o cumprimento da aposta e agressão por parte de torcedores vascaínos que reconheceram o rapaz.

Entretanto, a decisão simplista de torcida única tomada pela Ferj apenas agrava sua impopularidade e impotência sobre o campeonato carioca e sua impossibilidade de tomar decisões que sejam de fato eficientes.

O apresentador da ESPN, Ale Oliveira, no programa Bate-Bola, sugeriu à dupla Fla-Flu que boicote a final da Taça Guanabara, a partir de ridícula decisão tomada pela Federação Carioca de realização da partida com torcida única. A dupla Fla-Flu, aliás, já não tem uma boa relação com a Ferj há tempos, e esse desafeto se agravou ano passado, com a realização da Primeira Liga, campeonato que ocorreu de forma conjunta com o campeonato carioca e demonstrou que a competição já está sem o mesmo prestígio e importância de tempos atrás.

Nos jogos realizados pela semi-finais da Taça Guanabara entre Fluminense x Madureira e Flamengo x Vasco, o público foi pífio, não chegando nem aos 10 mil pagantes nas soma das duas partidas. Apenas a título de comparação, o Botafogo nos jogos contra Colo-Colo (CHI) e Olimpia (PAR), ultrapassou 20 mil pagantes, em partidas válidas pela segunda e terceira fases da Pré-Libertadores.

Flamengo e Vasco, considerado o clássico dos milhões, teve um público muito baixo, talvez um dos menores entre todos os clássicos já disputados, e isso tudo culpa da própria Ferj, que determinou a torcida única entre jogos realizados no estado do Rio de Janeiro, e obrigou a dupla a procurar outro estádio fora do Rio. Mas devido ao carnaval, encontrou dificuldades para marcar a partida em seus locais preferidos e com isso teve de pressionar a Federação para realização da partida com torcida dividida.

A Ferj então teve de acatar o pedido, mas viu um dos principais jogos dos últimos anos no campeonato carioca com menos de 5 mil pagantes. Evidenciando a desorganização do campeonato e o absurdo que é a torcida única nos estádios brasileiros.

Violência é a justificativa

A principal justificativa para a torcida única nos clássicos entre grandes equipes do futebol brasileiro é a violência que um possível encontro entre torcidas pode gerar. Entretanto isso chega a soar absurdo, na medida que o que ocorreu entre Flamengo e Botafogo não é parte da rotina nos estádios, e sim casos isolados, que infelizmente tem ocorrido com maior frequência, mas que punir o espetáculo proporcionado pelas torcidas não é a melhor opção.

Um FLA-FLU, em uma final de Taça Guanabara, apenas com a torcida tricolor, sem nenhum rubro-negro, é simplesmente ridículo!

A impunidade no Brasil é a principal causa para a violência nos estádios, já que é uma mínima parcela dos torcedores que promovem as grandes tragédias nos estádios brasileiros, os chamados brigões, que continuam sem uma punição severa por parte da justiça, diferentemente do que ocorre na Inglaterra por exemplo, onde os brigões não tem vez, e são julgados pela justiça comum, como criminosos que são ao praticarem atos de violência e vandalismo nas arenas futebolísticas pelo país.

Outros casos de torcida única

Após brigas em São Paulo no clássico entre Corinthians e Palmeiras no campeonato paulista de 2016, que também teve mortes, a pedido do Ministério Público à Federação Paulista de Futebol, ficou decidido por torcida única nos clássicos, além da proibição de qualquer instrumento ou objeto que identifique as torcidas organizadas em todas as partidas, não apenas em clássicos e proibição de doação de ingressos dos clubes a membros de torcidas organizadas.

Outro caso de torcida única foi na partida entre Goiás e Vila Nova em 2016, após briga no fim de 2015 entre torcedores do Goiás e Atlético-PR, mas nem isso adiantou, e 26 “torcedores” foram detidos no Serra Dourada, mesmo com torcida única, revelando que os “brigões” é que devem ser identificados e punidos, e não a grande maioria dos torcedores que vão aos estádios assistir seus clubes do coração.

Contramão 

Na contramão do que ocorre com a Ferj, os clubes mineiros na Primeira Liga, Atlético-MG e Cruzeiro, dividiram de forma igual o Mineirão, com 50 % de ingressos para cada torcida, mesmo levando em conta a imensa rivalidade entre as duas principais equipes do estado. O resultado foi uma festa dos dois lados e um clima de rivalidade sadia.

Opinião da dupla Fla-Flu

Ao saber da decisão, diretoria e jogadores lamentaram a aprovação da liminar que opta por torcida única como uma “medida de segurança”. Tanto o presidente do Flamengo, Bandeira de Mello, como o vice-presidente do Fluminense, Cacá Cardoso, são contrários a decisão, por ir “contra a beleza e história dos clássicos do Rio de Janeiro”, como afirma Cacá Cardoso.

O impasse do jogo

Após a Ferj definir o jogo para o estádio Nilton Santos, o Botafogo se mostrou favorável à torcida única, relembrando o episódio em que um torcedor alvinegro foi morto no clássico contra o Flamengo. Entretanto, a liminar aprovada pelo Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, tem a oposição de Flamengo, Fluminense e até mesmo da Ferj, que se vê pressionada pela dupla Fla-Flu para que o clássico seja realizado com a torcida mista.

Por Gustavo Pereira